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Blog de histórias reais e de ficção.
Um lugar para expor opiniões que provoquem dor ou delícia!
Qualquer semelhança com histórias ou comportamentos reais poderá ter sido mera coincidência. Ou não!



sábado, 23 de março de 2013

Nunca na história dessa vida viver foi tão chato!



Estamos condenados a viver no mundo do politicamente correto. “Cagadores de regras” defecam diariamente uma novidade que, com certeza, vai  tolher nossa liberdade de ir, vir e opinar.
Pior é imaginar que os tais fazedores de piriri usam as redes sociais para fazer valer seu ponto de vista de forma generalizada e perigosa. Estamos sendo conduzidos por ignorantes que opinam e que com os quais é praticamente impossível argumentar. Infelizmente, muitos não percebem a ditadura velada que se instaura em nossas vidas aos poucos, lentamente, disfarçada de “bom mocismo”.
Sei que muitos vão discordar da minha maneira “Pondé” de ser, mas de verdade, estou cada dia mais cansada dessa chatice toda.
Tenho quase meio século de vida e me sinto privilegiada por isso. Os mais velhos enfrentaram a ditadura, a rigidez das regras sociais, o preconceito escancarado aos gays e semi velado aos negros. Os mais novos estão virando massa de manobra. Uma volta ao inferno em 50 anos.
Claro que algumas coisas melhoraram muito e,  se não formos coniventes com Felicianos e Silas da vida, continuarão assim: nós mulheres conquistamos coisas em todos os níveis. O acesso à informação ficou mais fácil –fácil demais, eu diria. A comunicação está sensacional – consigo ver meu afilhado crescendo há milhares de quilômetros via Skype. A moda é mais liberal, permite várias tribos, vários estilos numa mesma estação.
Mas... sinto saudade de uma época em que vivi. Época em que os adolescentes podiam trabalhar, por exemplo, e isso era motivo de orgulho, de crescimento, de aprendizado. Hoje, se uma criança aparece num comercial de TV fazendo artesanato ao lado do pai, logo um ser “bem intencionado” faz uma denúncia ao Conar por “apologia ao trabalho infantil”.
Sinto saudade, de uma época em que o preconceito era simples: ou tinha, ou não tinha. Agora tem regra: Gay chamar gay de bicha, pode. Gay chamar hetero de bicha, também pode, hetero chamar gay de bicha, não pode. Os negros acham que os gays não podem ter preconceito porque sofrem preconceito. Os gays acham que os negros não podem ter preconceito porque sofrem preconceito e tem preconceito de quem é preconceituoso. Gente !!!

Vivemos a Era da caça às bruxas. Fumar virou quase um crime inafiançável, beber então...
Se formos a favor da liberação do aborto podemos ser socialmente abortados, e eu estou dizendo: a favor da liberação e não do aborto em si.
Há visível tendência a generalizar: Um filhodaputa sem noção bebe além da conta e bate o carro. Pronto! qualquer cerveja de happy hour passa a ser tratada como coma alcoólico. Os números sobre acidentes causados por pessoas que ingeriram álcool são publicados de acordo com o interesse e conveniência de quem os divulga. Variam de 24% a 69%.  É mais fácil atribuir a culpa do mundo à Skol nossa de cada final de tarde. Adoraria saber quem vão culpar quando os acidentes passarem a ser causados só pelos bebedores de Minalba !
Tenho saudade de quando cachorro era cachorro, gato era gato, e uns latiam e outros miavam. Na minha infância cachorro vira-lata fazia parte do cenário urbano de forma harmoniosa. Gato também. Hoje virou um problemão, todo mundo tem obrigação de adotar um bicho e de preferência trata-lo como gente. Veja bem, adoro cachorro. Tenho três, um adotado. Mas eles são cachorros! Digo isso e sinto os olhares que me fuzilam. Quase ouço : Que vaca !!
Na política havia os contra e os a favor de uma coisa ou de outra. Agora é tanto partido, tanto interesse, tanta hipocrisia, tanta cara de pau que nunca sabemos exatamente qual a melhor opção – se é que ela existe.
Quer saber?  Saco cheio é pouco. Estou sofrendo de síndrome de Saraiva e a cada manifestação “politicamente correta” tenho vontade de gritar.
Quer mais? Morro de pena dessa geração com menos de 30 anos. Se isso não parar eles nunca saberão que delícia é viver.

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