Sobre o Conteúdo do Blog

Blog de histórias reais e de ficção.
Um lugar para expor opiniões que provoquem dor ou delícia!
Qualquer semelhança com histórias ou comportamentos reais poderá ter sido mera coincidência. Ou não!



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Cláudia, uma saudade !!!

A primeira lembrança que tenho sobre ela é a de que me causava estranheza.  Era bonita, extravagante. Sempre acompanhada dos “mais descolados” e menos comprometidos com as fofoqueiras de plantão. Faziam o que queriam e eu achava o máximo.
Hoje entendo, a estranheza mascarava a inveja. Queria ter aquela leveza.
Aos poucos ficamos mais próximas e juntas nos divertimos muito. Hoje penso: muito menos do que eu gostaria.

Depois de alguns anos – passamos uns tempos distantes – a reencontrei na Ilha Comprida.
Foi uma história engraçada, eu viajando sozinha com o meu namorado da época (teoricamente com uma turma, para convencer meu pai a me deixar ir) dou de cara com ela na recepção do hotel. Quase morri do coração. Tentei disfarçar – coloquei uns óculos imensos e fingi ser outra pessoa. Foram 4 dias de tensão.
Ela, sempre elegante e divertida, entrou no meu jogo e fingiu não saber quem eu era. Anos depois rimos muito daquilo tudo. Claro que ela me reconheceu, claro que entendeu na hora o que estava acontecendo, claro que foi discreta e amiga para deixar passar.

Há uns 15 anos ou mais, voltamos a nos encontrar. Ela ainda casada com o Antônio, mãe da Yara. Outra mulher. Mais calma menos vaidosa. Ainda linda, carinhosa e amiga de verdade. Cozinheira maravilhosa, dona de uma casa acolhedora que íamos todos os dias praticamente: eu, Ferraz e Daniel, o irmão mais velho.
Ríamos muito. Fazíamos tudo junto.
Quando ela e o Antônio resolveram casar, fui chamada para madrinha. Não entendi muito bem como ia funcionar o casamento diferente em uma chácara e acabei chegando atrasada! Tudo bem. Fui recebida com um caloroso abraço e comemoramos muito do mesmo jeito.

Até que o Antônio se foi. O céu escureceu, ficamos tristes, perdidos e a Cláudia pareceu morrer pela primeira vez. Não havia nada, durante um bom tempo, que tirasse aquela tristeza do olhar. Profunda, da alma.
Tentamos tudo para animá-la. Tudo!  Aos poucos, um pouquinho dela voltou pra gente entre um sorriso e outro. Mas nunca mais foi a mesma.

O tempo passou e nos afastou outra vez. Coisas da vida. Sempre soube dela, acompanhava sua vida de longe, desejando sempre o melhor, afinal sempre que precisei de carinho ela se fazia presente. Quando precisei de consolo também.

De novo voltamos a nos encontrar e dessa vez a vida tinha sido cruel com ela. Doente, lutando para reverter um quadro difícil, a Cláudia nunca permitiu que perdêssemos a esperança na cura.
Quando todos se entristeciam ela sorria e nos deixava confiantes outra vez.
Não estava ao seu lado quando o pior aconteceu. Não tive coragem de vê-la morta, não visitei nunca seu túmulo.

Hoje, ela faria 49 anos -temos quase a mesma idade – e não está mais aqui para um abraço apertadooooooo como sempre me dava.
O que me acalma é uma possibilidade. A de que ela e o Antônio estão lá, juntos e felizes dando continuidade a um dos amores mais lindos que já vi entre duas pessoas.

Quero externar minha saudade. Quero externar o meu amor e minha gratidão.


Cláudia esteja você onde estiver, seja feliz e espere por nós !!!!!!! 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Jane, minha doce Duboc.



Jane entrou na minha vida por mãos carinhosas. As mesmas que admirei tantas vezes quando adolescente e das quais tenho lembrança clara ainda hoje. Mãos que acariciaram meu rosto e me agarram pela cintura.

Tarde da noite, uma triste noite aliás, saímos de carro pela cidade deserta. Conversa fluía delicada num misto de consolo e apoio. O coração dele em prantos. O meu  sempre solidário, chorava com ele.

Como se quisesse me agradecer pelo carinho, colocou no tape (é, o bom e velho tape) uma fita cassete.  Uma voz doce tomou conta do ambiente e ele disse:

- Conhece essa voz?
- Não, linda... quem é ela?
- Jane Duboc!  Vou colocar a música que mais gosto para você ouvir.

E tocou “Saudade”.

Curioso, hoje relembrando me dei conta de que o titulo tinha total identificação com aquele momento. Um momento em que a despedida era iminente. A nossa inclusive!

Ele se transformou em alguém que não entendo mais e deixou um vazio na minha alma. Quando ele, o vazio, fica insuportável, o preencho ouvindo ela.

Ela se aprimorou, gravou em inglês, em francês, em italiano em japonês e eu continuo a entendê-la perfeitamente.

Ele se foi mas deixou de herança a voz dela. Herança preciosa.

Possivelmente ele não a ouve mais. Possivelmente nem se lembre do momento em que nos apresentou e certamente não há  mais nenhuma significação naquela voz que considerava a melhor de todos os tempos.

Hoje, o que me trouxe até ela foi um sonho estranho onde o dono daquelas mãos tinha uma profunda tristeza no olhar. Como em outros sonhos, não trocamos palavras. Curiosamente ao sair de cena ele deixou um bilhete escrito com caneta vermelha, num pequeno papel amarelo:

- Chris, cante !!  Você não pode deixar os seus sonhos para traz.

Pode ser nada, mas pareceu um alerta de quem abdicou dos próprios sonhos para viver uma vida medíocre numa profissão totalmente sem perspectivas.

Acordei triste, escura, fria, mas resolvi que não ficaria assim. Busquei Jane , que ao cantar, sorri com os lábios, com os olhos e com a alma e me faz sorrir também.
Ouvi várias músicas, escancarei minha alma e deixei o sol entrar, nota por nota, aquecendo e iluminando meu dia.

Obrigada Jane, minha doce Duboc, companheira de jornada!

domingo, 18 de agosto de 2013

Amigos da Dor


Ajudar o próximo! Máxima defendida por 11 entre 10 igrejas ou religiões do planeta. A coisa é tão contundente que muitas vezes parece uma ameaça.
- Se você não ajuda o próximo, não vai ganhar o reino de Deus.
Algumas pessoas o fazem por convicção, não porque querem algo em troca. Essas – poucas – jamais conheceremos. Aliás, tão pouco desconfiaremos que façam qualquer tipo de caridade.
Outras agem fazem sob a luz dos holofotes, descaradamente. Desejam o reconhecimento. Afinal são merecedoras pelo “bem” que propiciam ao “irmão carente”.
Celebridades correm o planeta segurando no colo criancinhas doentes. Algumas à beira da morte, recebem no rosto cadavérico, fruto da fome e da sede, lágrimas borradas de rímel  Lancôme.
Sub celebridades participam de qualquer campanha de lhes dê notoriedade. De agasalho a Mc Dia Feliz, passando pelas ecochatas. Nestas, posam com cara de engajados ao lado de animais em extinção.
Pretendentes a celebridades – serve se rolar uma sub também – montam ONG e ajudam os “frascos e comprimidos” de plantão e suas respectivas famílias. Saem em fotos nas colunas sociais dos jornalecos e não se cansam de agradecer, todo santo dia, pela maravilha que é poder ajudar os mais necessitados e o quanto isso mudou sua própria vida. Vida essa que era um horror e continua sendo, mas que agora é retratada de forma poética e altruísta pela sociedade.
- Você é um herói, querido!!
Agora, não tem nada pior do que o amigo da dor. Aquele, que como um vampiro, espreita vidas buscando o primeiro sinal de que algo não vai bem. Não importa o que: pode ser um problema financeiro, com filhos, com marido, no trabalho. Tanto faz. O que importa é que exista o problema e que ele possa surgir como o salvador da pátria. Aquele pelo qual seremos eternamente gratos.
O complicado disso é que eles realmente acreditam que são capazes de consertar o mundo. Ficam extremamente ofendidos se recusamos sua ajuda, sua intervenção. Praguejam pra quem quiser ouvir, que jamais encontraremos outro amigo igual e se ainda tivermos um pingo de juízo pensaremos:
- Sedeusquiser.
Esses vampiros emocionais são de fácil identificação: Se afastam quando estamos bem. Não suportam a felicidade alheia e tem sempre uma explicação dramática seguida de uma previsão fúnebre para o futuro da ovelha desgarrada:
- Vai se dar mal e quando precisar de mim não estarei mais aqui para ajudar.
Sentem uma satisfação inexplicável diante da morte – quanto mais sofrida e demorada melhor – de doenças incuráveis e amores perdidos.
Via de regra, nunca estão bem, mesmo quando estão. Se forem agraciados com alguma coisa boa, logo se lembrarão de um parente que morreu e que “não está ao meu lado para compartilhar da minha alegria” ou do cachorro que fica doente atoa, ou do filho que viajou e está “há meses morando em Paris”.
Amigos da dor gostam de dor. Simples assim.
E se você tem um tipo desse próximo, Run Forrest, run !!!!!!!!!!!!

domingo, 11 de agosto de 2013

Malamen - um conto baseado em fatos!



Henrique não entendia o porque. 

Formava imagens em sua cabecinha de menino curioso e perguntava: 
- Teria capa, como Superman?  
- Viveria sob as águas, como o Aquaman? E das mãos, sairiam raios como o Iron Man ou teias como Spider Man?
- Será que vive numa caverna, como Batman?

Chegou a pensar se não seria como o Ant-Man: pouco conhecido.
- É, pensou o pequeno, por isso nunca ganhei um gibi com sua história.
Poderia ser um grupo, como o Omega Men. Alienígena talvez? Seria legal se ele fosse como o Plastic Man, se esticando todo para pegar os vilões.

Agora, se ele fosse como o A-Man voaria como os pássaros e mudaria de cor como o camaleão.
Havia a possibilidade de ser como o Sandman, um herói sem poderes.
O mais provável é que seja, na verdade, um vilão. Um daqueles dos X-Men que fazem mal a todo mundo.
O fato é que todas as noites a mãe o faz rezar e pedir que o livrem dele:
- “Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Malamem !!!!”
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