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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Pelo Direito de comer Queijo Parmesão!



Quando eu crescer, quero ser cientista política. Talvez o título me dê, milagrosamente, a capacidade de entender o “coitadismo” que se instalou nesse país de uns tempos para cá.

Antes o politicamente correto já me deixava de saco bem cheio, agora, esse caça às bruxas que se instalou, nos discursos dos defensores dos fracos e oprimidos está me tirando a paciência.
Ser branca, ter nascido no sudeste numa família de classe média, de repente fez de mim a culpada pelas agruras do mundo. E você que está lendo, caso se encaixe na descrição, ou em parte dela, também está sendo condenado.

A defesa pelo tal dos direitos iguais, está deixando as pessoas fora da casinha. Que direitos iguais? Quem foi o filho da puta que disse que tem que ser assim? As pessoas não são iguais, não tem a mesma capacidade, não nasceram para viver a mesma história. Vamos parar com essa hipocrisia. Vamos deixar de sentir culpa por ser melhor que o outro, por ter mais oportunidade que o outro. Isso não pode ser um pecado.

Maldita colonização portuguesa, pautada na crença da maldita igreja católica que premia a desgraça e condena o sucesso. E se não bastasse, sugere amorosamente, que você divida aquilo que ralou pra conquistar, sob pena de queimar no mármore do inferno.

Nunca vi tanta gente condenando a “elite branca”. Que porra é essa? Nem vou entrar no mérito político econômico do “quem paga os impostos do país, para bancar os programas sociais e blablabla”. Estou falando aqui, do direito de ser elite – se é que podemos chamar a classe média de elite, né gente? Vamos combinar que a coisa tá longe disso, mas... Estou falando do direito de ser branco, do direito a ter condições de vida melhor do que de outras pessoas. Caramba, tenho piores condições do que de tantas outras... Aí pode?

Tenho 50 anos, trabalho há trinta – é comecei tarde, meu papai é classe média, lembra? Será possível que não tenho direito de reclamar do preço do queijo parmesão? Por que??? Por que tem o cara que não tem condições de comprar feijão? E o cara que come trufas brancas italianas, deve parar de come-las por que eu não posso comprar?

Fiquei achatada, entre a cruz e a caldeirinha. Virei sanduiche. Estou numa posição social onde, por exemplo, não tenho condições de pagar uma faculdade particular de qualidade para meu filho, esse mesmo filho, poderá não conseguir uma vaga numa faculdade pública e como ele não faz parte de nenhum grupo com direito as tais cotas, provavelmente cursará uma faculdade particular medíocre. É o que temos para o momento! Afinal, somos a “elite branca” do país.

Gostaria de saber desses pseudos defensores das classes menos favorecidas, quantos pobres, negros e nordestinos eles levaram para morar em suas casas, grandes e arejadas! Quantas instituições eles ajudam. Quantos pratos de comida eles distribuem para os que moram nas ruas. Fazer reverência com chapéu alheio é uma beleza. Justificar o posicionamento político usando esse argumento é covarde. Atribuir só ao governo a responsabilidade de mudar um país é cruel. Cruel, com essa mesma população menos favorecida que eles defendem sentados confortavelmente atrás de seus notes, laptops, apples e afins.

Fui rotulada! Sou a “elite branca”. Tipo ebola social. Com isso, perdi o direito de reclamar, perdi o direito de questionar e perdi o direito de comprar queijo parmesão. Mas tudo bem, já combinei com D. Clotilde, lá de Ibitinga. Entre um bordado e outro, ela vai me fazer um queijo meia cura!

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