Sobre o Conteúdo do Blog

Blog de histórias reais e de ficção.
Um lugar para expor opiniões que provoquem dor ou delícia!
Qualquer semelhança com histórias ou comportamentos reais poderá ter sido mera coincidência. Ou não!



terça-feira, 18 de março de 2014

Sob o Signo de Peixes ! 3



Um outro lado.


Naquela manhã, quando Tânia foi tirar Henrique da cama para a escola, olhou- o ternamente e pensou:

- Se não fosse você, hoje não seríamos mais uma família.

Há 15 anos sentindo que seu casamento corria risco, resolveu que uma gravidez talvez colocasse as coisas de volta no lugar.

Foi numa viagem à Grécia, quando comemoravam 10 anos de casados que ela começou a ficar incomodada. O olhar perdido de Zé Edu, a inquietação diante da impossibilidade de usar o celular, os suspiros. Aquilo que deveria ser uma segunda Lua de Mel transformou-se numa viagem comum. O navio, cheio de possibilidades, as paradas num dos lugares mais românticos do planeta e ele distante, beirando a frieza.

- É !! Desta vez vou ter um pouco mais de trabalho.

Nunca foi um modelo de beleza e apesar disso, conseguiu despertar a atenção de Zé Du numa convenção, onde ela – executiva focada em sua carreira – participou de um work shop sobre marketing, como palestrante. O namoro foi curto e o casamento luxuoso como tudo que ela gostava.

Rapidamente percebeu que o marido nunca seria inteiramente seu. Conhecia sua necessidade do novo, do fresco. Optou por tê-lo ao seu lado, mesmo sabendo-se traída.

Zé Du alimentava seus caprichos e bancava o estilo de vida que ela tinha escolhido ainda bem pequena, quando passava necessidades ao lado da família pobre.


Viveram bem, foram até companheiros, mas desde que tudo aconteceu, não tiveram mais o mesmo olhar um para o outro. Zé Edu tinha uma mágoa, Tânia também. Zé Edu tinha uma saudade que ela entendia, Tânia tinha certo rancor na voz que ele não entendia muita bem.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Sob o Signo de Peixes! 2


O Segundo Encontro - Por ela


O segundo encontro, dias depois, começou com um clima constrangedor. Reunião de trabalho, doze pessoas ao redor.
Beatriz olhava para Zé Du e não tinha retorno. Chegou a achar estranho, até que aquela vozinha do bom senso chacoalhou seu pensamento:

- Como estranho? Queria o que depois dele passar 15 dias na Grécia com a mulher?

Bom, pensou, pelo menos teria um episódio pra contar pras amigas sem maiores conseqüências.

Pausa na reunião saiu pra fumar. Sentada nos degraus que davam acesso a área externa sentiu a presença dele. Não, na verdade sentiu primeiro o perfume. Como amava aquele cheiro.

 Falaram ao mesmo tempo e riram juntos em seguida.
Zé Du sugeriu que saíssem para um chopp após a reunião.
Beatriz, irônica perguntou se a turma toda ia, sorriu e aceitou.
Voltaram pra reunião. O tempo não passava. Não conseguia mais prestar atenção nos gráficos apresentados. Só via os gestos, o terno bem cortado, as lindas mãos morenas, o jeito de mexer na gravata.
Final da reunião, olhares se cruzaram e ele disse alto:

- Beatriz, tá de carro? Te dou uma carona até o hotel.

Dentro do carro, ela que esperava pela pá de cal no relacionamento que nem começara, sentiu a mão dele tocando sua perna.
Olhando para frente, como se preocupado com trânsito disse:
- Morri de saudade de você.
 Sentiu uma ligeira tontura enquanto falava pra voz, aquela do bom senso:  Como?  

- Estou dizendo que morri de saudade e você não me diz nada?
Sem jeito, diante da fala inesperada, colocou a mão sobre a dele:
- Esperava ouvir outra coisa. Não sei o que dizer
- Diga que também sentiu minha falta.
- Senti, disse enquanto tentava não ouvir a maldita da voz que retrucava: Você vai entrar numa fria.
Quer saber, decidiu dando um “peteleco na voz”, não tenho nada a perder.

- Sabe que consigo me lembrar da primeira vez que te vi? Lembro-me da roupa que vestia. Nunca me saiu da cabeça o sorriso, a voz, o jeito de caminhar. Quero ter um caso com você. Sou casado, bem casado, não pretendo me separar. Amo minha mulher, mas estou apaixonado por você.
Se a sinceridade dele a chocou, a memória a impressionou – tinham se visto pela primeira vez há dois anos.
Entre impressionada e chocada, resolveu que ficaria com a primeira. Recém-saída de um casamento fracassado onde não era desejada, viu na proposta uma oportunidade de se restabelecer como mulher. Podia sentir desejo na voz dele. Adorava a maneira como a olhava.

Conversaram longamente, trocaram olhares, beijos e combinaram um próximo encontro. 

O Segundo Encontro - Por ele

Zé Edu se lembrou, que nesse mesmo ano passou 15 dias na Grécia com Tânia, sua mulher. Viagem foi linda, com ares de segunda Lua de Mel, mas Beatriz foi junto, impregnada na sua memória.

Na volta, um presente inesperado: reunião de equipe.
- Ah, iria vê-la.
Perceber que estava sendo observado o deixou nervoso. Tão desconfortável que não teve coragem de retribuir o olhar. O que ela estaria pensando?
Quando a viu durante intervalo tratou logo de marcar um encontro. Não podia perder a oportunidade de dizer o que estava sentindo.
No carro, a caminho do bar, teve vontade de parar para beijá-la, mas o medo da rejeição o impediu.
Resolveu se arriscar: colocou a mão na perna dela e disse:
- Morri de saudade de você.
Percebeu que ela estremeceu e resolveu repetir:
- Estou dizendo que morri de saudade e você não me diz nada?
- Esperava ouvir outra coisa. Não sei o que dizer
- Diga que também sentiu minha falta.
- Senti ..
É, ela também estava sentindo o mesmo. Um sorriso tomou-lhe os lábios e ele tentou chegar ainda mais rápido ao destino. Queria muito beijá-la outra vez.
Conversaram e o tempo passou tão rápido. Tanto a dizer. Tantos beijos a serem trocados. Ah, os beijos ora ternos, ora intensos pediam novo encontro, mais íntimo. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Sob o Signo de Peixes !



Nascidos sob o signo de Peixes, Beatriz e Zé Edu foram par. Se uniram motivados por uma paixão proibida e acabaram separados quando a vontade de um amor tranqüilo apareceu. Fizeram da lua testemunha; compartilhavam-na no signo de Virgem. Trocaram juras, cheiros, choros, gozos e risos. Ouviram Toni, Gloria, Celine, Rod, Zizi e Gil.  Dançaram ora trocando passos, ora em outros braços, mas sempre trocando olhar. Amaram um ao outro como se fosse o último, cuidaram um do outro como se fossem únicos. Viveram a eternidade entre quatro paredes e foram ao inferno quando o fim chegou.



Sobre o início – por ela.


Beatriz achou incrível que 15 anos tivessem se passado, foi num Outono, como agora - exatamente no mês de maio – que ele chegou, meio sem querer, meio despretensioso.
Bodas de Cristal pensou, com sorriso irônico. Nada mais simbólico.
Cristal não se quebra, espatifa.
Perfeito! A relação espatifou depois de três anos incríveis.
Por longo período, pensar no assunto provocou nela um nó no estômago. O tempo, sempre o tempo, foi capaz de substituir o nó por uma leve revoada de borboletas.
- É, definitivamente não parece uma história que vivi. Parece sim um daqueles filmes água com açúcar que assistimos sozinhas para que ninguém veja as lágrimas que provocam.

Foi uma bela história, precisava admitir.

O convite informal para o chopp com a equipe de trabalho, perceber – depois de alguns minutos - a armação para ficarem a sós. A conversa doce, o olhar, o toque quase sem querer das mãos sobre a mesa. O mundo parando de girar, o silêncio que tomou conta da cena, o olhar profundo, a mão que agora não mais fazia questão de esconder o desejo do toque. A conta que chegou e ela não viu, o bar ficando pra trás enquanto saiam – mãos entrelaçadas – o vento frio da madrugada que bateu em suas costas. O paletó que a envolveu, os braços em volta de sua cintura, o manobrista perguntado sobre o carro. Os braços dele, o vento frio, o olhar profundo, a respiração ofegante, o manobrista ao fundo, o barulho dos carros na avenida movimentada. A respiração ainda mais ofegante, os braços ainda mais apertados, as mãos dela agora em torno do pescoço dele, o olhar. Ah! o olhar e finalmente o beijo quente, desejado.

- É, foi um belo começo.


Sobre o início –  por ele


Zé Du se deu conta de que vivia só! 15 anos de solidão de alma. Não conseguia se lembrar de outra fase tão intensa, tão entregue como a que viveu ao lado de Beatriz.
Pensava nela num misto de saudade, tristeza e raiva.
- Como ela pôde colocar fim numa relação tão boa?
Nenhum dos casos que teve depois dela – e foram muitos - exerceu nele o mesmo fascínio. Ela tinha uma ingenuidade, uma paixão pela vida, uma alegria tão grande que o encantava. Pensar nela provocava um nó no estômago. Mesmo magoado, precisava admitir sua parcela de responsabilidade na decisão do fim.
-Demorei dois anos pra tomar coragem, dois anos. Ela não teve paciência. Não soube entender.

Combinar um chopp com pessoas fictícias para justificar a ida dela. Fingir surpresa quando não apareceu ninguém, tocar levemente a mão dela esticada sobre a mesa como que por acaso, olhar nos olhos grandes e castanhos emoldurados por uma sobrancelha perfeita.  Perceber que o silêncio se fez e o tempo parou, tocar as mãos agora sem nenhuma preocupação com o acaso, pedir a conta, pagar nem saber como, sair do bar com ela pelas mãos, entregar o comprovante para o manobrista, torcer para que o carro estivesse longe, perceber que Beatriz sentia frio, colocar o paletó nas suas costas e aproveitar para abraçar sua cintura. Olhar profundamente nos olhos dela, a respiração ofegante, a magia que tomou conta do momento. Sentir os braços dela em volta do seu pescoço, o olhar, o cheiro e o beijo. Ah, o beijo. Como adorava aquele beijo.


- Maldita Beatriz.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Entre 5ª's - Passeando pela trilha sonora da minha vida !


Parte 01


Nasci numa 5ª feira há 50 anos, num dia em que o governo Italiano pediu ajuda pela primeira vez, para consertar a Torre de Pisa. Pelo jeito conseguiu, porque ela continua ali, tortinha mais em pé, ½ século depois.
Carnaval já tinha passado e segundo minha mãe, dei algum trabalho pra vir ao mundo. Foram, se não me engano, dois alarmes falsos, no dia anterior e na madrugada. Nasci as 10h30 - minha mãe diz que foi as 11h - no Hospital Beneficência Portuguesa em São Paulo. 

A música top daquele ano no mundo, foi “My Girl” - The Temptations e no Brasil, “Datemi un Martello” - Rita Pavone. “Aquarela Brasileira” foi o Samba Enredo da Império Serrano – eu adoro - e os Beatles cantavam “I Want To Hold Your Hand” enquanto Roberto Carlos, sem a Friboi,  entoava “Parei na Contramão”. Aliás, pensando no título da música e na polêmica, acho que ele parou na contramão foi agora, né não?

De lá pra cá foram muitas as músicas que embalaram minha vida. Ainda criança, parava em frente à TV e chorava ao som de “Tá na hora de dormir, não espere a mamãe mandar, um bom sonho pra você, e um alegre despertar”. Boêmia desde cedo, dirão amigos e familiares. Fato!


Ale, meu irmão, nasceu quando eu tinha 4 e me lembro de levantar a blusa da minha mãe para vê-lo quando, diante do meu questionamento sobre o tamanho da barriga, me respondeu que tinha um nenê ali. Jornalista competente, musico talentoso, Ale canta super bem, apesar de não admitir e a música que me remete a ele é “Colombina” do Ed Motta.


Lembro-me da música das “Balas Juquinha” e da emoção que senti quando fui com meus primos ao programa na TV  Tupi, que levava o mesmo nome.


Aos onze, meus pais no maior sacrifício, me mandaram pra Disney e a música que me leva de volta aos braços do Mickey é “Loving You” de Minnie Riperton. Minnie e Mickey? Ah, Feliz coincidência !


Com doze anos, fui numa festa da escola e apaixonada pelo galã, senti forte emoção quando me tirou pra dançar enquanto o Barry cantava “Mandy”.


Ganhei uma irmãzinha quando tinha 14 e é impossível não lembrar dela, já mais velha, de pé entre os bancos do carro, cantando:
- Ohhh macumberaaa, ohhhh macumberaaaaa... quando ouvia “Smooth Operator” da Sade.

Dois anos depois, dancei minha primeira valsa – a famosa “Valsa do Imperador” - nos braços do ator Global Mário Cardoso e ouvi dele:
- Nossa, você dança melhor que A Moreninha – numa referência à novela que ele atuava na época ao lado de Nívea Maria. 
Gentil esse Mário. Como o é até hoje – somos amigos no Facebook.


Com dezesseis, namorando o meu grande amor da adolescência, vivi dias de glória no carnaval ao som de “Balancê” e das boas e velhas marchinhas.


Ao lado dele, aos dezenove, aprendi a dirigir ao som de “Saudade” de Jane Duboc e me tornei tão apaixonada por ela, quanto era por ele.


Tinha quase vinte, quando fui passar férias sozinha, na casa da minha tia Suely, em Salvador e o que embalava minhas manhãs era “Ursinho Blau Blau”. Caito, meu priminho, me tirava da cama todos os dias:
- “Tia”, borá brincar de guerra ??? E eu ia, feliz da vida. Ligava o som colocava o LP e partia pro ataque enquanto ele se encolhia, já morrendo de rir.


Teve uma época em que eu não perdia uma só gravação do Programa Raul Gil. Todas as terças, estávamos no SBT, eu e Nanci. Foi um período delicioso, onde conheci tanta gente famosa! Uns maravilhosos outros o Ó, mas todos igualmente emocionantes. Adorava quando o Léo Jaime ia ao programa, por exemplo. Ficava paralisada ouvindo enquanto ele cantava:


- “Alguém sabe o que é, ficar em casa, só e chapadão, olhando pela madrugada o Polteirgeist na televisão”...


Amei platonicamente cantores, atores e apresentadores de TV, na melhor versão tardia de adolescente boba que alguém pode ter.


Dentre os meus “sonhos de consumo” estava César Filho. Ah, como ele ficava fofo atrás daquela bancada do extinto TV MULHER.


Pura emoção encontrá-lo num lançamento de Disco na Roof – boate bacanuda de Sampa. Naquele dia, além do Jorge Ben – era só Ben, mesmo - conheci o Chacrinha enquanto Guilherme Arantes entoava “Cheia de Charme”.

Tempos depois, já formada e trabalhando na Almap em plena Avenida Paulista, presenciei um Show histórico. Ultraje a Rigor, cantando na laje de uma galeria, na hora do almoço. Lembro-me de um cara sentado sobre o orelhão pra ficar mais perto da banda. E entre “Marylou”, “Ciúme” e “Nós Vamos Invadir sua Praia”, quase morremos de congestão de tanto dançar no meio da avenida.

Parte 02: Aqui
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