Sobre o Conteúdo do Blog

Blog de histórias reais e de ficção.
Um lugar para expor opiniões que provoquem dor ou delícia!
Qualquer semelhança com histórias ou comportamentos reais poderá ter sido mera coincidência. Ou não!



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O homem que eu amei.




No dia em que foi embora, levou com você o homem que eu amei. 
Não que vocês fossem a mesma pessoa. 
Apenas habitaram o mesmo corpo.

Ele estava no abraço de despedida sofrido e nas lágrimas que senti nos seus lábios quando o beijei pela última vez. 

Foi você quem entrou no carro, ligou o motor e saiu decidido, carregando meu amor que não estava tão certo assim daquilo que queria. 
Nem tão seguro de que estava fazendo o que era certo.

A cada dia, depois disso, você foi tomando seu lugar, sufocando aquele que foi o mais importante homem na minha vida até aqui.  
Às vezes ele aparecia e meu coração se enchia de alegria. Apresentava-se tímido, furtivamente no olhar doce, no sorriso, no abraço que você, rapidamente, fazia questão de separar.

A última vez que eu vi o homem que eu amei, ele estava suado, carregando o caminhão de mudanças que você contratou. 
Trocamos um olhar cúmplice, divertido. E acabou!
Ele se foi de vez e nunca mais vi traço algum dele em você. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Um FIM



Um FIM não apaga o que foi  começo
Tão pouco é capaz de desconstruir o  meio.

Não deleta o que foi vivido,
Não esconde o que foi somado, subtraído
E tem que conviver, queira ou não, com tudo o que foi dividido.

Um FIM não acaba com o que foi sonhado e compartilhado,
Tão pouco com a memória daquilo que nos fez feliz, mas...

... um FIM precisa de tempo para ser assimilado,
Grande dose de paciência para ser compreendido.

Um FIM precisa de distanciamento, de  isenção,
De muito esquecimento e um pouco de desinteresse.

Precisa de alguma mágoa, de muita dor, de alguma raiva.

Um FIM precisa de certas mentiras, alguma manobra, pitadas de ironia.
Litros de lágrimas, quilos de melancolia, alguma revolta, certa covardia!

Um FIM, pra ser um FIM daqueles que vale a pena, precisa de muita saudade
e dose extra de aceitação.

Um FIM pra valer a pena, tem que vir sobre o salto, alto, quinze.

Peito estufado, esbanjando a coragem que não se sabe de onde tira. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um olhar !



Decidiu que a distância seria o único caminho para tentar entender o recado que a vida lhe mandava. Recado definitivo, cruel.

Não houve generosidade  e aquilo lhe causou estranhamento.

- Justo você, vida? Sempre tão generosa comigo?

Pensando no assunto, dia após dia, foi-se criando um abismo entre aquilo que se tornou e aquilo que um dia foram juntos.

 - É como um novela, dessas mexicanas, que assistimos e achamos pouco verossímil.

Talvez por isso escreva em terceira pessoa.

Até que um dia, diante da foto que fizeram questão lhe de mostrar, identificou o vazio do olhar. 
Logo no olhar!
Reconheceram-se através do olhar, certo dia, num corredor de Shopping. Descobriram-se apaixonados através de um olhar numa festa de Reveillon. Trocaram um olhar cúmplice – o último, na hora da partida– enquanto carregavam o caminhão com a mudança dele.

O olhar que, curiosamente, nunca foi trocado enquanto se amavam – com exceção da última vez, quando os olhares foram intensos e apaixonados.

O olhar com o qual conversaram durante anos - em mesas de bar, em festas, em cerimônias cheias de pompa - quando falar não era possível.

O olhar que irradiava felicidade quando se encontravam. O mesmo que se turvava de lágrimas de alegria quando juntos, comemoravam os títulos do time de coração.

Até o olhar de decepção e angústia que demonstrou quando ela desistiu daquilo que era tão importante para ele.

Agora, vazio? Vazio era novo. Era triste!

Olhou-se no espelho preocupada.  Procurou por uma emoção, qualquer uma, ainda que fosse triste. E foi! Entendeu que aqueles olhos nunca mais seriam protagonistas de uma música do Fagner.

Resignada mas decidida a manter emoções no olhar,  vestiu-se, maquiou-se – caprichou nos olhos – e saiu para encontrar amigos queridos.
Sozinha, enquanto esperava por eles, se pegou observando pessoas e seus olhares. Construiu pequenas histórias baseadas nas coisas que viu. Teve pena de alguns e vibrou secretamente de alegria com outros.

Minutos depois, no meio da multidão, um olhar conhecido chamou sua atenção. Veio assim, sorrindo em sua direção. Ajoelhou-se ao seu lado, pegou delicadamente em sua mão, afagou seu rosto e olhou profunda e carinhosamente em seus olhos dizendo:

- Você é uma mulher incrível !!!

O olhar, sempre o olhar.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O trigésimo dia.



Quando tudo aconteceu, assim tão definitivo, não quis acreditar na veracidade dos fatos.
No dia um, negociei comigo mesma uma forma de reverter a situação. Negociei com Deus, com os anjos, com os espíritos, com os Orixás.

Sem crédito, no dia 02 insisti em vão.

O terceiro dia nasceu lindo e achei que minhas preces tinham sido atendidas. No dia quatro tudo se desfez.

No quinto, já sem aliança, sem alma, sem sorriso, sem esperança, vesti calça e camisa e tentei seguir com a vida. Passei a manhã entre lágrimas e falas desconexas, ouvida atenta e carinhosamente por uma amiga querida.

No sexto me afastei de tudo e de todos. Me tranquei, chorei em desespero  inenarrável.
Não me lembro mais dos dias seguintes a esses. Apenas um topor e uma sombra verde estavam presentes junto com os amigos. Tantos, tão queridos, tão solidários. Chorei muito de emoção. Chorei de me saber tão importante pra tanta gente. Chorei com a solidariedade que veio de lugares inimagináveis.

Agarrei-me à família que, sempre amorosa e presente, esteve comigo todos os minutos.
No décimo terceiro festei, saí, me diverti, conheci pessoas interessantes. 
O dia seguinte foi lindo. Amigo querido, abraço carinhoso, declaração de amor e cuidado eternos. Minha alma ganhou brilho, meu olhar ganhou brilho, minhas mãos pararam de tremer com tanto aconchego e amparo.

Lá pelo décimo quinto dia, como que se eu não merecesse o descanso, Nagasaki e Hiroshima tomaram ares de bombinha de São João, diante da notícia que recebi. O cogumelo que se formou  me transformou numa pessoa distânte de mim mesma. Desfigurada, horrível, irônica, sarcástica.

No décimo oitavo descobri que soltaram a bomba em  lugar errado. Estouraram por impulso O estrago?  Já estava feito e foi sábio. A fumaça que vi indo embora era verde. Verde como a esperança que tive até então. Esperança dissipada no horizonte abriu os caminhos.

No vigésimo terceiro dia, esvaziei as gavetas que ainda tinham alguma sobra do que fomos nós dois. Esvaziei armários, caixas. Esvaziei meu coração.

No vigésimo quarto decidi que viveria só pra mim, só por mim. Cada um no seu quadrado. Cada um cuidando da sua dor, cada um com sua escolha. Escolhi ser feliz de novo e rápido.

A partir daí, os dias foram se iluminando, minha alma foi me reconhecendo, eu fui me enxergando de novo no espelho. Os olhos voltaram ao normal, curiosos!
Passei a ver as possibilidades, o futuro, as oportunidades.


No trigésimo dia, como se o universo seguisse o calendário, em plena madrugada, assim do nada, senti uma pequena revoada de borboletas no estômago. Ainda tímidas, desconhecidas, despretensiosas, mas importantes o suficiente para me fazerem ver que é possível.
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