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Blog de histórias reais e de ficção.
Um lugar para expor opiniões que provoquem dor ou delícia!
Qualquer semelhança com histórias ou comportamentos reais poderá ter sido mera coincidência. Ou não!



quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Perto do Fim!!!!!!


Finalmente está acabando aquele período do ano que só orando à Nossa Senhora da Bilirrubina. Tudo é motivo para um chopp. A festa da firma, o amigo secreto daqueles amigos que nem são tão amigos assim, o encontro daquela turma que a gente não vê há 987 anos, mas que não vivemos sem, a prima que veio de longe para passar alguns dias na sua casa com a família e que só bebendo pra dar conta de tanta gente e tanta desordem...

Eu, particularmente, preciso de dose extra de Plasil na veia para agüentar as canções irritantes, interpretadas por Simone, Ivan, John e agora os Fábios de Melo e Júnior, que nos obrigam a entrar no clima do Natal por bem ou por mal. E os lojistas e suas decorações natalinas exibidas cada vez mais cedo? Eu aqui, fico imaginando o dia do duelo entre  Coelhinho da Páscoa X Papai Noel nas vitrines do país. Isso sem falar do incontável número de mensagens disparadas por todos desejando as mais diversas coisas. Roteiro pronto, antigo, desgastado, mas que todo mundo segue a risca.

Deixando minha "ranzinzice" a parte, também é uma época em que as pessoas parecem mais dispostas a compreender, aceitar, apaziguar, nem que seja da boca prá fora, pra cumprir o tal roteiro. Desde que não seja assunto relacionado à política, corrupção e seus derivados.  Tem quem faça o tal do  balanço do ano que passou. Talvez eu deva fazer o meu para colocar as coisas em perspectiva.

-  2015 veio cheio de possibilidades, como todo e qualquer ano, mas posso afirmar que já tive anos melhores. A coisa foi tão braba que to até com certo medo do próximo. Imagina só, fui para meu lugar preferido no mundo e peguei Zyca. Depois, fui mandada embora e não me pagaram por 4 meses, precisei de muito desgaste para receber. Meu pai, ficou doente e morreu em uma semana, tive uma briga indecente com meu par e ficamos separados por quase um mês. Um tio querido adoeceu e morreu depois de seis meses de muito sofrimento para ele e toda a família. Lá de longe, se foram Marília Pêra e sua incrível capacidade de nos transportar para outros mundos, Miele e sua alegria, Elias Gleizer e sua doçura, Beth Lago e sua irreverência. Encerrei minhas atividades como publicitária quando perdi, há dois meses, o único cliente que ainda atendia. O país, o estado e o município estão nas mãos de gente incompetente, desonesta, sem vontade política.  

E como se tudo isso já não bastasse para cortar os pulsos, minha tentativa de organizar um reveillon divertido e cercado de amigos,  foi totalmente fracassada.

Tá! Claro que também tive bons momento. Fui mandada embora de um emprego que me escravizava emocionalmente - o mesmo que demorou pra me pagar. Viajei com minha mãe, irmã, primas e tias, num final de semana memorável. Pude me dedicar inteiramente a um negócio que me dá muito prazer - agora espero o momento em que me dê também algum dinheiro. Encerrei um ciclo que envolvia meu ex marido, o que me trouxe alívio. Solidifiquei relações com amigas queridas, especiais e presentes. Meus filhos estão bem, saudáveis, felizes. Tenho um bom relacionamento e eu não perdi minha identidade nem quebrei o pacto que fiz comigo mesma há 2 anos -  o que é realmente uma vitória considerando meu histórico anterior. Tive a oportunidade de ver grandes nomes nos palcos da vida. Bibi Ferreira, por exemplo me arrancou lágrimas de emoção.

Depois de tudo relacionado e analisado, vou classificar 2015 com um empate.

Daqui algumas horas, fogos vão fazer um barulho insuportável, meu celular vai fritar de mensagens no Whatszap, as pessoas vão beber, cantar e comemorar com seus amigos e familiares o tal do novo ano e eu, por opção e alguma decepção com o todo, estarei em casa reclusa, esperando com certo receio, os próximos 365 dias.

Se a ideia é desejar algo, desejo que seja justo!




quinta-feira, 7 de maio de 2015

Sob o Signo de Peixes! 11





Beatriz passou toda a noite de Natal  envolvida com a família. As conversas animadas com as primas, os últimos acontecimentos da pequena cidade que tanto adorava sendo atualizados, o carinho das tias que a achavam exótica.

Enfrentava também, um certo olhar desconfiado dos tios que sempre a acharam “saidinha demais”, sem ao menos se darem conta da ingenuidade que ela tinha na alma.

De tempos em tempos, se pegava imaginando como estaria Zé Edu e sentia uma pontinha de tristeza. Muito difícil a ideia dele ao lado da mulher e dos filhos. Sabia ser inevitável, sabia que era exatamente dessa forma que ela desejava aquele relacionamento, mas ainda assim, sentia um certo incomodo.

O feriado de Réveillon foi ainda mais complicado. Zé Edu passou na casa de praia, agora com a família dele. Todos muito alegres, passaram a semana planejando a noite da virada. Ele não conseguiu se envolver em nada. Achava tudo enfadonho, sem graça, superficial.

- Já me basta a função de churrasqueiro no dia primeiro – falou com certa irritação, diante das cobranças constantes de Tânia.
- Mas você sempre dá as melhores ideias, sempre puxa a fila da animação, o que está acontecendo? Desde o Natal está apático.
- Nada, Tânia. Nada demais. Apenas cansado e pensando na volta ao trabalho.

Ela não se convenceu. Com frequência, a imagem da tal aliança quadrada, lhe vinha a mente.

Na noite da passagem do ano, Zé Edu teve vontade de se trancar no quarto, no silêncio, envolto em pensamentos e lembranças que tinham Beatriz como tema. Diante disso, impulsionado pela saudade que sentia, pouco antes da meia noite, resolveu sair para caminhar na praia. Ia tentar falar com seu amor.

Caminhou por quinze minutos, até ter certeza de que não seria surpreendido por alguém. Tirou o celular do bolso e discou.

Beatriz passou o dia arrumando a casa ao lado de alguns amigos. Encheram balões brancos e dourados, montaram as mesas e cobriram com toalhas de renda. A decoração estava ficando linda. Flores e frutas formando um lindo arranjo na mesa das comidas e pedras, cristais, incensos, todo tipo de imagem de santo, orixás e um buda, compunham a mesa ecumênica de boas vibrações. O clima estava ótimo, o céu azul prometida uma linda noite estrelada. Pensava em Zé Edu e sentia um certo frio na barriga. Ah, como era bom estar apaixonada.

Os convidados foram chegando, cada um com sua contribuição. Seria um banquete e tanto. As taças de champanhe, já com uvas dentro, estavam prontas à espera da brinde.

Faltavam dez minutos para a virada quando ouviu o celular. Pelo toque sabia se tratar de Zé Edu.

- Hei, meu rei!!!! Como você está? – atendeu animada.

-Ah, princesa! Morto de saudade de você.

                                                                                                                   Continua.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

- Boa noite! - Boa noite!






Vidrada na TV preto e branco, protagonista naquela sala simples de sofá de plástico e mesa azul turquesa, Diva absorvia cada segundo de sua série preferida. Lamentava intimamente não saber as cores do estofado florido, onde a numerosa família retratada passava parte do tempo reunida.

Imaginava as cores dos vestidos das meninas, sempre com laços na cabeça. Tinha um carinho especial pela mais velha que apesar do sorriso, trazia no olhar certa tristeza. Sempre se perguntava o porque.

- Talvez por ter um grande número de irmãos e irmãs para dividir a atenção dos pais e avós, ou pelo peso da responsabilidade, talvez não queira mesmo casar-se com o tal do médico, questionava.
Era início da década de setenta e Diva resolveu, - Quando tiver uma filha, darei a ela o nome de minha personagem preferida.

Quase dez anos haviam se passado quando ela conseguiu realizar seu sonho. Dez anos e muitas histórias para dividir e muitos sonhos para realizar com aquela que seria sua boneca.

Diva casou-se com o primeiro e único namorado e logo tiveram um filho. Ficou tentada a chama-lo de John, mas pensou que seria demais. Em seguida vieram mais dois meninos e ela chegou a pensar que a tão desejada menina, jamais chegaria. Cinco anos depois, em março, ela chegou. Tinha muito cabelo, nariz arrebitado e era ligeiramente estrábica. Nelson, o marido achou a menina feia e Diva ralhou com ele,

- Recém-nascida, marido. Depois melhora, fica bonita. Você vai ver!

Os anos foram passando, a menina crescendo junto com os cabelos volumosos e os olhos tortos.
Diva às vezes, se pegava olhando para filha com tristeza. Ela em nada lembrava a menina de laço no cabelo e vestido rodado da série de TV. Sua filha era magra demais, cabeluda demais, vesga demais e para desespero dos pais, um dia, apareceu com brinco no nariz e tatuagens pelo corpo. Era muita esquisitice. 

Apesar de tudo, ela era doce e trazia tristeza no olhar, não se sabe se pelo estrabismo ou pela alma inquieta.

Os anos foram passando e Diva ficava cada vez mais preocupada com a filha que resolveu ser modelo. Fotos dela apareceram na internet, num site de índole duvidosa.

- Ah, comadre. Olha essa menina, disse a madrinha. Jandirinha começou assim e agora tá perdida. O Zé me contou que tem foto dela com pedaço do peitinho de fora, falou em tom alarmista.

Sentada no sofá, ainda aquele de plástico, olhando para a TV, agora colorida, Diva sem qualquer esperança, lamentou não ter mais a série para se distrair. Fechou os olhos, fez um passeio mental pela casa dos “Watsons” e chegou mesmo a ouvir:

- Boa noite, John Boy!
- Boa noite, Mary Ellen!





....

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Feliz Ano Novo




Ela acreditou que pudesse ser mesmo, um ano de novidades felizes. Depois das dores dos últimos dezembros, imaginou que fosse merecedora de um alento, afinal, se a prova era sentir tudo com muita intensidade, sabia ter passado com louvor. Não se lembrava de ter amado tanto, tampouco de ter sofrido assim.

Janeiro foi despretensioso, não teve muito a oferecer, mas logo veio o melhor mês do ano – na opinião dela, claro – Fevereiro e aí, teve carnaval, fusca e violão e mesmo não sendo Flamengo e não tendo uma nega chamada Tereza, abusou da folia, do confete e da serpentina.

Foi em março que começou a se desenhar o que parecia ser o túnel, onde tempos depois, no seu final,  seria capaz de ver uma luz. De velas ainda, é bem verdade, mas ainda assim uma luz.
Começou com uma troca de olhares, algumas brincadeiras. Depois as costumeiras indiretas, que funcionam meio como um tatear do terreno. Um dia, meio sem esperar, houve o beijo. Para ela, um beijo. Para ele – soube depois – o início de algo mágico.

Estiveram separados num breve hiato em Abril. Ela precisa encontrar sua menina e resgatar a auto estima perdida em tempos de dor e falta de afeto. Ele, enquanto isso, elegeu a música que traduzia seus desejos. Ah, “Quem me dera te dar, quem me dera, bons ventos e brisas... Quem me dera te dar, quem me dera, se tanto precisas, te dar calma, te encher de mistérios, te dar desafios, te dar sonhos, mexer no teu tédio, te dar meus navios.”

Em Maio, fizeram farra, fizeram amor, fizeram bico. Em Junho, como que se o destino os quisesse juntos, transformou uma pequena tragédia em possibilidade. Jogaram os dados e andaram 15 casinhas. Juntos, felizes. O túnel estava pronto, a luz estava acesa.
Quando Julho chegou, torceram pelo Brasil e choraram por ele. Incluíram os amigos nos seus dias, incluíram mais amor nas suas noites. Começaram a fazer planos.

O Agosto e o Setembro os aproximou. Trabalharam juntos, num projeto complicado e saíram vitoriosos. Riram e choraram juntos, tiraram dúvidas, tiraram sarro um do outro. Nunca nas suas histórias, sentiram-se tão à vontade num relacionamento.

Outubro chegou traiçoeiro e outra pequena tragédia fez com que voltassem 10 casas.

- E aí, Sr. Destino, de que lado você está? Ela pensou irritada diante da notícia que mais parecia uma armação do que um acidente.

Novembro apagou a vela, mas ele, que não admitia abrir mão do amor conquistado, colocou um maçarico para manter a chama acesa. Fizeram tudo com cuidado. Cuidaram um do outro e do amor que descobriram existir. Cuidaram com afinco, com carinho, com respeito e com tanta admiração que era bom de assistir.

E quando Dezembro chegou, ela ficou com medo de que fosse igual aos dois anteriores, cheios de decepção e dor. Foi surpreendida! Foi o mês em que as luzes se acenderam, os beijos ficaram ainda mais intensos, os olhares mais penetrantes, o riso mais leve e só chorou de emoção diante de tanto amor.

Entendeu que o ato de se abrir para as possibilidades e não mais  criar expectativas, transformou o que prometia ser um ano inócuo, num período de experiências emocionantes e significativas.


Feliz 2015. Que seja o ano das possibilidades.
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