Sobre o Conteúdo do Blog

Blog de histórias reais e de ficção.
Um lugar para expor opiniões que provoquem dor ou delícia!
Qualquer semelhança com histórias ou comportamentos reais poderá ter sido mera coincidência. Ou não!



segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Balanço de dores e delícias em 2010




2010 foi um ano estranho.
No final de 2009 muitas promessas de bons e novos negócios me encheram de esperança. Esperança de ter um ano tranqüilo financeiramente. Tudo ficou só na promessa, pelo menos até hoje, 27 de dezembro. Sendo a otimista que sou tenho até sexta-feira para que as coisas mudem.

Em compensação, 2010 foi um ano maravilhoso do ponto de vista dos amigos.
Ainda me lembro com emoção da primeira troca de sorrisos entre mim e meus queridos amigos Daniel e Ferraz em Março deste ano no parque Raia, depois de 2 anos, 2 meses e 16 dias de distanciamento forçado.
A alegria que senti com o abraço da Mara na frente do Teatro depois de um tantão assim sem nos falarmos.
Tudo por que somos humanos, erramos, acertamos, pedimos perdão e perdoamos, ou não!

Novos amigos, tão queridos, tão carinhosos passaram a fazer parte da minha vida: Natali, Gustavo, Roseli, Rosa, Rosana, Tutu... que bom!

E as meninas twitteiras? Grande presente. Gentileza gera gentileza e somos assim, gentis !!!
Afinidades descobertas, experiências trocadas. Muitos risos, muita alegria sempre que estamos juntas. E estamos sempre juntas, mesmo que virtualmente, senão, aff !! Somos chamadas de “desapegadas”, né Fabiana?

Amigos mantidos. Igualmente importantes, igualmente amados, pra sempre.

Um ano que não encontrei meus queridos amigos paulistanos. Muita saudade mesmo.
Mas a emoção de encontrar velhos amigos da minha adolescência no Facebook me levaram literalmente as lágrimas.

Lágrimas? Hum ? Muitas. De tristeza, de emoção e de alegria. Choro até em inauguração de semáforo.

Em 2010 comecei a ter a sensação de fazer parte da corte. Depois de 16 anos em Ribeirão parece que estou tenho algum reconhecimento e isso trás uma sensação boa.

Aprendi coisas importantes: A verdade sempre aparece. Sempre. Demore o tempo que for.
As máscaras sempre caem.
Os sacanas que continuam a se dar bem infinitamente vão continuar existindo e não podemos fazer nada a respeito. Que puxa saco é que nem capim, dá aos montes, são chatos e incomodam muito. Alguns dão tanta azia, que os enxergamos verdes!

Entendi que tenho que acreditar no inferno. Preciso que ele exista pra que esses sacanas psicopatas e sem caráter tenham pra onde ir.

Me dei o direito de odiar, de sentir mágoa de não perdoar quando não quiser. E isso é libertador.
Sempre falei o que penso, mas algumas vezes errava o filtro. To aprendendo a usar a espessura certa pra cada caso.

Mais uma vez, coisas ruins aconteceram a pessoas boas, mas tenho certeza que tudo isso tem um propósito que hoje não entendo, mas que um dia vou saber.

Me decepcionei diante da mudança de comportamento de pessoas da família, próximas e queridas de repente se tornaram estranhas. Não mais as reconheço. Deve ser a “evolução” (ironia pura).

Parei de brigar comigo mesma e aceitei que posso ser a dona da minha casa, cozinhar, arrumar, passar e lavar sem que isso me deixe escravizada.  Aprendi a ser mãe. Tardiamente é fato. Mas antes tarde do que nunca.

Depois de 03 anos de casada com o amor da minha vida, entendi o significado das palavras afinidade, companheirismo e fidelidade. Quando estamos no auge da paixão tudo parece óbvio, depois de um tempo é maravilhoso ver os espaços sendo preenchidos com atitudes, olhares, cumplicidade. É isso que chamamos de amor.

Senti muito orgulho dos meus filhos e do meu marido, o mais novo e mais jovem imortal de nossa cidade. Me senti amparada  pela família: pai, mãe e irmãos que amo sem reservas e incondicionalmente.

Descobri que posso escrever contando as minhas experiências e que as pessoas se emocionam  diante delas.
Entendi que definitivamente a vida é feita literalmente de dores e delícias.

Sendo assim, que venha 2011. Venha com dores e delícias,  pra que tenhamos muito o que contar daqui a um ano.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Na iminência de um milagre eminente


Frio! O clima e o quarto onde ela aguardava pela família.
O sorriso dado a cada pessoa que entrava não conseguia esconder a tristeza dos seus olhos.
Porque outra vez? Como ela iria viver diante de tal mutilação?
Na chegada ao hospital, dois dias antes, tentou disfarçar durante a entrevista com a estudante de psicologia :
- Como você se sente sabendo que vai sair daqui sem um dos seios?
E a resposta foi daquelas pra contar o assunto:
- Tem outro jeito? O que não tem remédio...  – e citou o ditado que sempre ouvia da avó.
Não tinha exatamente noção do que estava por acontecer. Sua maior preocupação eram as sessões de quimioterapia que viriam. De novo! Mais seis. E de novo, sem cabelo, com enjôo e dor de pele.
O câncer de mama havia voltado um ano e meio depois da primeira intervenção cirúrgica.
Quando sentiu o nódulo estava de férias em Itaparica. Uma onda de frio, que começou no estomago, tomou conta do seu corpo por alguns minutos.
De volta, procurou a ginecologista e de lá para o ultrasom de mama, a punção dolorida e o diagnóstico temido foi um passo.
O mastologista prometeu:
- Se estiver apenas no local que imaginamos, colocaremos uma prótese e você não vai se ver sem o seio.
Na sala de recuperação, a primeira atitude que teve quando voltou da anestesia foi olhar para baixo.
- Ufa !! Lá estava a prótese no lado esquerdo.
O resultado, quando tiraram o curativo foi assustador: Não havia mais mamilo, nem bico. Apenas um amontoado de pontos – perto de 40. Nas costas outra cicatriz imensa no local onde a pele e o músculo para o enxerto foram tirados.
Ainda assim se achou vitoriosa e entendeu que poderia ter sido pior.

Agora sozinha no quarto gelado, olhando para o nada, tinha dúvidas de como iria reagir.
As enfermeiras, muito carinhosas, entravam e saiam. Tinha feito fama no hospital. A paciente com câncer de mama que melhor enfrentou as cirurgias, as quimioterapias, a perda de cabelo. A mais sorridente, a mais otimista. Um exemplo de superação.

Sabia que aquilo não passava de uma máscara de proteção. Não suportava ver as pessoas olhando como se ela tivesse apenas alguns meses de vida.
Já estava impaciente quando entrou mais uma enfermeira. Sorriso estampado no rosto lindo.
- Você está bem?
- Estou sim.
- Quem vem te buscar?
- Meu pai.
- Olha, não sei qual é a sua crença, mas queria te dar isso – e entregou um daqueles santinhos impressos.
Sempre foi espiritualista, mas tinha reservas com santos, padres e afins. Pegou o papel, pensando ser mais um e quando olhou nos olhinhos ternos daquela santa, estampados no papel fino, sentiu seu coração parar.
Era Santa Terezinha das Rosas. Uma freira jovem, também conhecida por Santa Tereza de Lisieux.
Ficou com o impresso na mão por alguns minutos e resolveu ler o conteúdo no verso. “Diz a tradição que, após a Novena, a pessoa receberá de alguém, de uma maneira bem inesperada, uma rosa, sinal de que seu pedido será atendido
O pedido era óbvio:
- Que eu seja curada. Que nunca mais tenha que passar por isso.

No dia seguinte, já em casa cercada pelo carinho dos amigos conseguia rir fazendo piada sobre os “cachorrinhos” que carregava. Cachorrinhos era o apelido dado às duas bolsas ligadas aos drenos.
Foi entre um riso e outro que olhou para a porta do quarto e viu uma Rosa. Cor de rosa clara, linda, grande. Atrás dela, duas grandes amigas.
- Minha mãe mandou essa rosa pra você.

Radiante diante do sinal, contou a todos sobre a novena começada no dia anterior.
A emoção tomou conta do lugar e entre lágrimas e abraços teve a certeza da cura.
A rosa foi colocada no criado mudo, em um lindo solitário de cristal e permaneceu aberta por 15 dias. Quando as pétalas iam caindo, ela as reunia guardando com todo cuidado.

Receber a flor depois de ter feito a novena, já seria por si um sinal, mas a maior surpresa veio mesmo dias depois quando recebeu novamente a visita das amigas queridas.

- Sabe, contei pra minha mãe que você tinha feito a novena de Santa Terezinha, e ela chorou muito de emoção. Agora, você não vai acreditar no que vou te contar: minha mãe tem três roseiras em casa, e plantou cada uma em homenagem a uma santa. Tem de Nossa Senhora, tem de Fátima e tem de Santa Terezinha. Aquela que ela colheu pra você, foi do canteiro de Santa Terezinha.

Hoje, oito anos depois, ela está muito bem. Tem a certeza de que aquilo tudo foi um recado da vida. Não um castigo! Um aviso, um sinal de que deveria rever seus caminhos, suas prioridades.
Carrega a imagem da Santa na carteira e faz questão de contar sua experiência mística.
Sabe que foi abençoada só não sabe que nome dar a isso.
Eu chamo de milagre! Você pode dar o nome que quiser, só não podemos negar que realmente existem coisas que são maravilhosamente inexplicáveis.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ele se chama Sérgio, mas devia se chamar Gerson.


Caso eu esteja errada, por favor, me corrijam: Todo ser humano normal, sem maiores problemas de visão, consulta um oftalmologista uma vez ao ano certo?
Foi o que eu fiz em Abril.
Míope de carteirinha há mais de 30 anos, uso lentes de contato socialmente e óculos apenas em casa. Até porque não fico exatamente charmosa com eles. Argh!
Para minha surpresa, depois dos exames de rotina o médico me deu apenas a receita para os óculos.
A receita das lentes ele disse que quando eu precisasse trocar que eu o procurasse – a alteração do grau não justificava a troca antes do vencimento.

Há três semanas entrei em contato com o consultório para pegar a receita das lentes e me deparei com a seguinte resposta da recepcionista:

-  Dr Sérgio não dá receita de lentes. Você tem que comprar aqui com ele. 

Achando aquilo muito esquisito  resolvi  pesquisar no site do conselho regional de medicina.
Lá entendi que de acordo com os artigos 98 e 99 esse médico está agindo de forma anti-ética. Além disso ele está em total desacordo com a lei do consumidor, cabendo uma denúncia ao Procon.

Liguei novamente no consultório, obtive a mesma resposta. Pedi então que a secretária o informasse sobre a sua atitude irregular perante o CRM. Ela disse que ia passar o recado e que mais tarde ele me ligaria. A ligação veio algumas horas depois  e a resposta era a mesma: ele não ia me dar a receita. Eu, mais uma vez a alertei sobre a irregularidade e mais: disse que iria fazer uma reclamação formal ao conselho de medicina. 

Mais que depressa ele pegou no telefone e ai deu-se o diálogo que vou "tentar" reproduzir:

Ele - Oi QUERIDA, qual o problema?
Eu - Problema algum. Apenas quero a minha receita para comprar as lentes de contato.
Ele - Mas eu não posso te dar. Você já imaginou se o fornecedor te der lentes erradas?? Você pode ficar cega em 24 horas.
Eu - O senhor tem um laboratório de medicamentos também?
Ele - NÃO!!! Porque?
Eu - Então o senhor não receita colírio?
Ele - Claro que receito.
Eu u - Mas é a mesma coisa. Imagina se eu compro um colírio de má qualidade !! Posso ficar cega em 24 horas.
Ele (irritado) - Não QUERIDA...
Eu (irritada tb) - Querida NÃO ! EU mal o conheço. Inclusive, Dr Sérgio, eu uso lente há 34 anos e nunca tive problema. Esse fornecedor me atende há pelo menos 16 anos.
Ele - Faz o seguinte: Você tem a receita do óculos que eu te passei ?
Eu - Tenho sim
Ele - Então vc pega a receita e leva na ótica e compra sua lente.
Eu - Mas o senhor, na ocasião da consulta me disse que o meu grau de óculos é diferente do grau da lente. Agora o senhor quer que eu compre uma lente com grau errado? Que tipo de médico o senhor é? Isso que o senhor está impondo (comprar a lente única e exclusivamente no seu consultório) é ilegal, anti-ético.
Ele - Eu tenho o respaldo do Conselho Regional de Oftalmologia.
Eu - Olha Dr, eu sou publicitária e conheço bem os meus direitos.
Ele - Ahh é ?? Você tá querendo me encher o saco ???? então vou encher o seu também: você veio aqui em ABRIL sua receita não vale mais. Receita é válida por 3 meses.
Eu - O senhor está tentando me dizer que devemos procurar um oftalmo a cada 3 meses ???? Não é possível, Todo mundo vai ao médico uma vez ao ano. O senhor está usando isso como desculpa.
Ele - Não vou aguentar suas grosserias.....

Desligou na minha cara !!!!

Cheguei a pensar que ele tivesse mesmo o respaldo do Conselho Regional de Oftalmologia e imediatamente entrei no site me deparando com a seguinte informação:

É vedado ao médico:

Art. 68. Exercer a profissão {...} dependência {...}, óptica ou qualquer organização destinada à {...} ou comercialização de produtos de prescrição médica, qualquer que seja sua natureza.
Art. 69. Exercer simultaneamente a Medicina e a Farmácia ou obter vantagem {...}, pela comercialização de medicamentos, órteses, próteses ou implantes de qualquer natureza, cuja compra decorra de influência direta em virtude de sua atividade profissional.


Bingo !!! Achei o que precisava.
Este médico está realmente em total desacordo com as normas dos conselhos, seja ele de medicina ou de oftalmologia.
Entrei em contato com os órgãos competentes, mas não tive retorno. Entrei em contato com a Unimed Ribeirão para denunciar o comportamento e adivinhem: Não tive retorno.
Hoje resolvi mandar uma sugestão de reportagem para o Jornal Hoje.
Agora eu quero assistir de camarote o momento em que ele vai chamar a repórter de QUERIDA.
Nem que seja de óculos. PLIN PLIN !!!!!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tendo a lua como testemunha


A noite estava gelada, e o elegante sobretudo que ele usava ajudava a amenizar o frio que ela sentia. Parados na frente do bar, a avenida - já com pouco movimento - testemunhava a troca de olhares o constrangimento que pairou sobre eles. Tinha sido uma noite estranha.
O convite, feito por ele de forma inesperada,  veio no meio da tarde:  Happy hour para relaxar depois de um dia estressante de reuniões. Uma confraternização, entre os gerentes da empresa da capital e do interior. Parecia despretensioso e ela aceitou. A noite, já sentada à mesa do bar aconchegante, tomando um chopp, apesar do clima, começou a estranhar a demora na chegada dos demais convidados.
Foi numa brincadeira feita num guardanapo, que ela guardou por anos, que entendeu que aquilo tudo tinha sido armado para que  pudessem ficar sozinhos. A desculpa foi "quero conhecer você melhor".
Quando o carro chegou um beijo rápido, quase roubado, selou o encontro. Dirigindo pelas ruas paulistanas se sentia confusa, perturbada. Como reagir diante das investidas daquele, que até então se dizia tão bem casado?
Dias depois recebeu um telefonema e um novo encontro foi marcado. Dessa vez, nenhuma desculpa. As intenções estavam claras.
Resolveu que nada tinha a perder e foi aberta a novas experiências.
Não se orgulhava da posição que aceitou ocupar, mas tinha consciência de que era livre.
Viveram uma linda história de amor. Na maior parte do tempo entre quatro paredes, mas tinham muito em comum. Conversavam horas, riam e choravam juntos. Naqueles momentos não se sentia a outra e nem tinha por que. A dedicação, o cuidado, o carinho, a preocupação a faziam dela uma mulher feliz.
Sentia-se desejada. Nunca houve um momento de discussão, não conheceu desrespeito. Não havia cobrança. Cada um sabia o seu papel e o tamanho do seu espaço.
Optaram por não saber, dentro do possível - como era a vida do outro fora da relação.
Trocavam presentes. Trocavam olhares que pareciam parar o tempo. Trocavam confidências, esperanças, traumas, alegrias.
Os momentos separados eram igualmente intensos. Tinham músicas, tinham códigos, tinham a lua.
Ah, a lua! A lua era o balizador da sintonia. Ela aparecia e uma música tocava. Nesse momento, buscavam os celulares e trocavam juras de amor eterno. Eterno enquanto durasse.
Os códigos eram para os momentos em público. E como eles se divertiam no meio das pessoas. Dançavam com outros pares, riam em outras companhias, mas sempre se buscavam num olhar cúmplice.
Tiveram seu melhor momento numa noite onde estavam presentes a música, a lua, os amigos comuns e uma vontade incontrolável de parar o tempo. O que viram e ouviram parecia endereçado a eles. Era essa a lembrança que os fazia sorrir nos dias cheios da ausência um do outro.
Os anos foram passando e a vida lá fora fazia suas exigências. Eles sentiam que o tempo que restava era curto.
Não houve a tranquilidade quando veio o fim. Ela demorou meses para se recuperar. Ele demorou alguns anos para entender a decisão dela.
Tentaram retomar, não foi igual. Então perceberam que não havia mais o olhar, não havia mais a magia e conseguiram se libertar.

Hoje ele ainda se encanta diante do luar e ela ainda se emociona quando ouve aquela canção:

“I heard he song a lullaby. I heard he song it from his heart...”   

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dores e delícias do primeiro amor.


Há uma máxima que diz que o primeiro amor a gente nunca esquece. Deve ser verdade porque sei exatamente quando o meu começou.
Foi num sábado de 1971, calor infernal em Pontal, onde na época meu tio era o prefeito.
Fomos, meus primos e eu, ao Cine São Carlos. O filme, um western com Yul Brynner.
Sentado no meio daquela molecada, ele. Lembro do momento que o vi e do alto dos meus sete anos disse para minha prima:
- “Quero me sentar atrás daquele menino. Acho ele bonito.”  
Detalhe, como assim bonito? Eu só o havia visto de costas. Ela, com dez anos e bem mais saidinha que eu, disse:
- “Atrás por quê?! Vamos é sentar do lado.”
 E lá fomos nós. Coração batendo forte precisei de coragem para me sentar. Nem olhei para o lado.
Já era a segunda ou terceira exibição do filme naquela semana, e ele já havia assistido. Passou quase todo o filme contando o que ia acontecer. Sinceramente, nem me lembro do rosto dele naquele dia. Sei como era a tela do cinema e algumas cenas do filme, que não sei o nome. Sei também que desenvolvi uma fixação pelo ator principal.
Foi amor a primeira vista. E um amor tão puro, tão forte que até pouco tempo atrás, acreditava que éramos almas afins que tinham se reconhecido.
O sentimento alimentado pelas minhas fantasias se fortalecia. Ele era o meu príncipe encantado. Lindo, inteligente, de boa família. Aliás, o assunto família era um caso a parte. Tínhamos tios casados, primos comuns e diversos outros elos. E eu achava que tudo isso era a prova da minha teoria sobre almas gêmeas.
Os anos foram passando, mas o “amor” que eu sentia não. Pelo contrário, ia aumentando, ficando mais esperançoso.  Aos 13, arrumei um namoradinho na cidade, com a clara intenção de despertar ciúmes. E não é que deu certo? Uma semana depois, lá estava ele, vindo em minha direção no clube da cidade. – “Meldels, o que faço agora?”
Conversamos, ele me pediu em namoro e eu, claro, aceitei na hora.
D. Tereza, minha mãe, tinha uma regra clara: 10 horas em casa. Quando o relógio da igreja bateu nove e meia senti um medo danado. Sabia que tinha que ir embora e que isso significava dar o meu primeiro beijo nele.
Os meninos daquela época eram cavalheiros e nos acompanhavam até a porta de casa. Lá fomos nós, caminhando pelas ruas de Pontal City, conversando de mãos dadas. Na esquina ele parou. – “Jesus, é agora”!!!
Passei a noite em claro, pensando em cada detalhe, em cada frase, em cada olhar.
Foram duas semanas mágicas. Começava a conhecer sua forma de pensar. Podia ouvir sua voz, seu riso. Era o amor platônico mudando de status, passando a real.
O namoro durou pouco, não suportou os 320 km de distância que nos separava. 
Como aceitar o fim? Fui do paraíso ao inferno, com milhões de diabinhas assediando o que  considerava meu.
Mais alguns anos e lá estava ele de novo, ao meu lado, pedindo pra voltar. Meses de paraíso seguidos de outros anos de inferno. E essa fórmula se repetiu mais duas ou três vezes.
O inacreditável é que no meio de tudo isso, eu sabia tudo sobre ele. Sonhava com coisas que aconteciam antes delas acontecerem, tinha premunições acordada. Sentia o que ele sentia. Sabia quando ele sofria, e sofria junto. Ninguém precisava me contar nada.
Passei a planejar minha vida para estar sempre por perto.
Quando a mãe dele adoeceu, foi no meu ombro que ele chorou e mostrou seus medos e inseguranças. Era Carnaval de 82 e foi a última vez que estivemos juntos. Conversamos muito, rimos de verdade e choramos sem reservas. Foi quando ele me ensinou a dirigir, quando ele me fez ouvir Jane Duboc, quando percebi que ele era mesmo tudo aquilo que eu acreditava. Meses depois a mãe dele morreu. Peguei o primeiro ônibus e passei todas as horas do velório e do enterro junto dele em silêncio compactuando com sua dor.
Depois disso, nossas vidas tomaram rumos diferentes. Acabei me rendendo a São Paulo e fui fazer faculdade, trabalhar com propaganda, conhecer pessoas. Namorei, fiquei noiva.
Numa noite em maio de 88 o telefone de casa tocou meio fora de hora. Desci a escada para atender e antes mesmo de tirar o aparelho do gancho sabia qual era a notícia:
- “Chris, tudo bem, você tá sentada?” - era meu primo Eduardo. Eu imediatamente perguntei a ele
– “Tudo bem, Du, quando é que ele vai casar? E pra quando é o nenê?“. Atônito ele retrucou:
- “Quem foi que te ligou pra contar?” e eu respondi:
- “Ninguém precisou me contar Du. Eu já sabia”
Naquele dia, imaginei que o cordão energético que nos unia seria rompido com o casamento.
Nos anos seguintes, nos vimos algumas vezes em casamentos, aniversários, festas. Meu coração sempre parecia que ia sair pela boca quando sentia a presença dele.
Sonhei com ele durante muito tempo. Um sonho recorrente, onde eu perguntava: - “Você é feliz?” Nunca ouvi a resposta.  
Sábado passado, no shopping eu o vi de longe, com a mulher e o filho e tive certeza que hoje, quarenta anos depois do encontro no cinema, não sou mais capaz de saber o que ele sente. Não sei o que ele faz e nem sei mais quem ele é de verdade.
Só sei o papel que ele tem na minha história: O menino lindo e gentil, que me ensinou numa tarde quente de verão o significado da palavra amor.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

É com B ou com M ???





Outubro de 2001, Vânia e eu desembarcávamos no Zumbi dos Palmares em Maceió para uma semana de férias com nossos amigos Daniel Basso e Ferraz Júnior.
Foram dias deliciosos  de praia, passeios em lugares divinos e claro, muita risada. Aliás,  nós quatro juntos produzimos essa magia do riso fácil, solto, literalmente feliz.

Uma manhã resolvemos ir até Penedo. De lá sai um Catamarã para o Delta do São Francisco. Passeio obrigatório! Andamos 150 quilômetro e quando chegamos soubemos que a embarcação já tinha saído. Frustração geral. O que fazer? Voltar estava fora de cogitação.
Conversa daqui, conversa dali descobrimos um senhor que alugava barcos pequenos com guia. Nem pensamos duas vezes, compramos comida, isopor com cerveja gelada, muito protetor solar e  embarcamos com nosso guia a tira colo.

O passeio é lindo, o Rio São Francisco é uma energia. Vibra, muda de cor, de textura. Fica tranqüilo se agita. Ele é o senhor que tudo pode.

As margens do Rio, casebres com pessoas acenando, como se nossa passagem por ali  fosse o único elo com um mundo que eles pouco conhecem.

Nosso guia, um garoto de aproximadamente 14 anos, muito tímido, sentado no fundo da embarcação contava o pouco que sabia com aquele sotaque delicioso.

Na hora de comer convidamos nosso novo amigo a sentar-se  conosco mas ele educadamente recusou alegando ter levado seu próprio lanche. Entendemos afinal, ele já tinha se mostrado tímido.
Pouco depois olhamos e lá estava ele, comendo bolacha recheada com garfo e faca. Foi difícil conter o riso diante de cena tão ingênua. Ele, um garoto simples, queria nos mostrar que era bem educado.

Conversamos muito, fizemos várias perguntas. Num determinado momento passamos a perguntar sobre ele. O Rio fala por si, queríamos saber como um menino de 14 anos vivia naquele mundo de pobreza e ainda mantinha tamanha alegria.

- Qual o seu nome ?
- Bororó
- Bororó ou Mororó ??  Não conseguíamos entender o que ele dizia.
- Mororó !!!!
- Mas é com B ou com M???
- É com Ó !!!! BororÓÓÓÓ !!

Risada geral !!! Nem o condutor, acostumado com ele se conteve.
Nos olhamos com misto de dúvida e constrangimento e saímos de lá sem saber o nome do rapaz.


                                                   Na foto, eu, B/MororÓOOOO e Vânia. 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

QUANDO EU ERA CRIANÇA PEQUENA LÁ NA BARBACENA...


... A Usina produzia a plenos vapores e o cheiro do “garapão” tomava conta de toda a fazenda.

Na cozinha, enquanto minha avó, que tinha dedos incrivelmente longos, batia a nata do leite pra fazer manteiga caseira,  Cunga, a ajudante, fazia frangos caipiras deliciosos no fogão de lenha.

Um pomar com manga, tangerina, limão, seriguela e parreira com uvas verdes, sempre azedas. Horta, que tinha um pouco de tudo, algumas galinhas chocando, outras botando em cima de poleiros sujos e porcos. Ou seria porco?

A casa era pequena, mas imensa na minha lembrança. Três quartos, com portas duplas azuis, muito altas, um banheiro com banheira e uma janela tão grande que nem sei pra que porta !

O piso de vermelhão sempre impecável de brilhante. Dois alpendres*, um que dava pra rua, com direito a rede e mesinha que usávamos para os jogos de buraco dos finais de tarde e outro na passagem para o quintal. Neste tinha uma pia com uma torneira que dava choque e eu era vítima. Dava choque mesmo, mas meu tio - único solteiro na época - me achava a fresquinha da capital e não acreditava. Um dia, ele mesmo experimentou. Lembro da minha maldosa satisfação!

Sala de estar, com um móvel lindo, antigo para a televisão preto e branco, duas poltronas de courvin, uma marrom, do meu avô e outra preta da D. Conceição, minha avó. O sofá era vermelho encostado na parede abaixo da janela.

Sala de jantar com mesa de fórmica azul clara e oito cadeiras forradas com estampas de gosto duvidoso. Duas delas ainda existem e estão na minha casa.

Meu avô tinha um fusca azul calcinha – que combinava com a mesa de fórmica -  e parava o carro na rua apesar da garagem enorme que tinha ao lado da casa. Não só parava do lado de fora, como deixava aberto e com a chave dentro. Eu achava aquilo o máximo da tranquilidade.

Na frente da casa um gramado onde eu e minhas Suzys inventávamos histórias de reis e rainhas perseguidos por cachorros gigantes – papéis desempenhados bravamente pela Puppy e a Quirei – as “Pequinês” da família.
A Usina era uma verdadeira cidade com clube, cinema, posto de saúde, armazém de secos e molhados (me lembro a confusão que fiz quando surgiu a banda do Ney), farmácia, igreja, água tratada, campo de futebol, escola e muitas colônias. Algumas próximas à indústria outras bem distantes. O que definia quem morava onde era a atividade de cada um. Os homens que atuavam dentro da usina, no escritório, clube, farmácia, cinema e escola moravam no “centro”. Os que trabalhavam no plantio e colheita moravam nas colônias mais afastadas.

Foi na Barbacena que descobri que Cacilda era nome de gente! Oh Meu Deus, isso merece uma explicação: Nossos vizinhos em São Paulo tinham uma cachorra chamada Cacilda e eu mudei pra lá com apenas um ano. Aos 9, quando me apresentaram a Cacilda, irmã da Magali corri pra casa, chamei minha mãe num canto e disse:

- Mãe, coitada ! A moça tem nome de cachorro.

Era lá que ouvia nas noites de sexta e sábado a música do filme A Ponte do Rio Kwai chamando para a sessão de cinema que ia começar. Quando tocava,  sabíamos ter 10 minutos pra chegar e ocupar nossos lugares num camarote improvisado. Eram dois, na verdade e ficavam no andar de cima, com 8 poltronas azuis marinho, separados pela sala de projeção. Privilégio do gerente da Usina, cargo do meu avô. Lá assisti filmes antigos dos quais nem me lembro mais. Sei que eram velhos, de produção e de conservação. Virava e mexia o filme “partia”, as luzes se acendiam e o povo vaiava.

Lá fiz amigos que me lembro com carinho: A Eva, a Nenice, o Cirço. Seu Pernambuco, que cuidava da bomba, a Dona Lila - melhor amiga da minha avó - que tinha um dos olhares mais doces da minha infância e fazia comida bem boa.

A Barbacena era minha alegria, era o meu porto seguro.

Hoje virou distrito de Pontal com  nome bem esquisito – Walter Becker –  a usina foi desativada e pior: grande parte das casas da minha feliz infância foram demolidas.

Onde antes funcionava o cinema: ruínas e no lugar das poltronas, muito mato. A estátua de Santo Antônio na praça ainda está lá - deve ser milagre do santo.


Quando eu era criança pequena lá na Barbacena, andava descalça, subia em árvore, tomava água do riacho, fugia da mula sem cabeça imaginária, viva encardida de terra e respingo das canas de chupava direto do pé. Andava livre pelas colônias puxando conversa com quem passava, brincava com barro na olaria, sonhava em nadar no açude - era proibido! Corria dos cachorros soltos, ria sem reservas, ficava de castigo pelas artes e era uma felicidade só!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Era uma vez...


Era uma vez.... 



... num reino não tão distante, uma rainha tupiniquim que vivia triste. Tinha acabado de fazer um acordo com um príncipe completamente desencantado: ele entrou com o pé, ela com a bunda!
Pobre rainha. Pensava no que seria da sua vida naquele reino cheio de criancinhas melequentas, colheita apodrecendo, moedas sumindo do saquinho surrado de couro que trazia amarrado a cintura. Cintura esta, que já tinha sido bem mais atraente diga-se de passagem.
Cansada dos príncipes mulherengos e inconstantes que passaram por sua vida, ela - que nunca foi de entregar os pontos - resolveu sair e conhecer gente comum nas tabernas do reino. E de tanto ir e nada ver, chegou a conclusão de que príncipes não mais existiam. Decidiu então que se contentaria com os plebeus.
Passados alguns meses, escolheu entre eles, o que parecia mais responsável, mais estável financeiramente, mais correto moralmente.
O tempo foi passando e a esperança de que pudesse transformar o plebeu num príncipe foi ficando desbotada. O escolhido sofria transformações diárias e a cada dia se aproximava mais de um sapo. Um sapo feio, careca, calçado em sapatos baratos de plástico que provocavam um cheiro horrível. Pobre rainha. Nem imaginava que pior ainda estava por vir:
Arrogante, o plebeu que nem competência para príncipe tinha, assumiu ares de rei e começou a ordenar.
Aos poucos, afastou a rainha das tabernas que os dois frequentavam como distração e dos amigos que ela havia conquistado ao longo de sua jornada. Controlava todo o reino: da cozinha à lavanderia, dos bancos aos armazéns.
Logo a rainha se viu obrigada a vestir o que ele mandava e a se comportar de acordo com suas regras. Sem perceber ela se tornava súdita diante de um pseudo rei psicopata.
A indignação voltou a fazer parte da vida dela quando, entre uma conversa e outra, descobriu que o seu escolhido tinha o pior carácter que já havia conhecido.
Soube que em outro reino, onde viveu por mais de 20 anos,acabou por transformar a Rainha numa mulher gorda, com muitos filhos e netos e a abandonou no momento de pior crise no palácio. Sem estudo, sem vontades, sem dinheiro e sem prazeres viveu subordinada a ele e teve grande dificuldade de governar sozinha. Nunca desconfio que pudesse estar sendo traída, nem mesmo estranhava as infindáveis viagens do marido. Viagens essas que eram justificadas como necessárias  para aumentar os proventos do reino. O que ele não contou é que também serviam para aumentar, sem pudor, a sua lista de amantes espalhadas pelas terras vizinhas. Amantes fixas e eventuais.
A Rainha Tupiniquim, percebeu ter cometido grave erro de avaliação e reconheceu que a escolha tinha sido um desastre. Mesmo assim, passou alguns anos tentando melhorar a situação sem sucesso.
Frustrada, entendeu que precisava se livrar dele.Não havia meio de convence-lo do fim. Os surtos de ira, as ameaças emocionais e físicas eram constantes.
Na tentativa de buscar um companheiro acabou encontrando um homem doente e perverso. 
Ficou totalmente descrente da possibilidade de voltar a ser feliz. Como encontrar alguém, plebeu ou príncipe, que a aceitasse com seus traumas, suas cicatrizes, criadas e enfatizadas pelo cruel companheiro?
Entrou numa tristeza profunda. 

Mas, como toda história que começa com “era uma vez” tem um  final feliz, recuperou as esperanças e seguiu em frente.
Um dia, em meio ao caos que sua vida se tornara, a Rainha Tupiniquim pensou num príncipe que havia visto de passagem durante um passeio pelo reino anos atrás. Naquele dia numa troca olhares eles se reconheceram. Na época a condição de ambos impediu que a história seguisse e ela o guardou na memória e o manteve no coração tendo a certeza de que mais que encantado, aquele príncipe era lindo, leal e amigo. Real.
A lembrança deu forças para expulsar o “psicosapo” de sua vida que inconformado com o fim,  invadiu o castelo com ameaças e perseguiu a rainha durante meses. Foi um período tenso. Tenso, mas feliz. 
Acordava livre e em paz e se alegrava em saber que nunca mais precisaria olhar, falar e principalmente ouvir o discurso doente e sempre mal humorado daquele ser desprezível.

Meses depois, reencontrou o príncipe - aquele que havia visto no passei pelo reino. Aquele que a encorajou a tomar uma atitude.
O reencontro foi lindo, em meio a uma festa num palácio vizinho. Festa regada a comida, bebida, música, danças e fogos.  
- Ah, este sim, é um  nobre - pensou.
Hoje eles vivem felizes com admiração e respeito, com afinidade e amor.

E não é que o sapo maldito fez mais uma vítima:
Um dia foi levado ao Reino da Escandinávia e lá encontrou uma rainha linda, educada, fina, elegante mas muito carente. Conseguiu conquista-la e ela foi dedicada, carinhosa e fiel.
e como já era de se esperar, a mentalidade doente daquele ser repugnante não soube valorizar as qualidades de tão bela mulher. Tratou-a com grosseria e imprimiu na relação o seu mal humor irrecuperável.
Felizmente, a nobre  levou pouco tempo para entender que não havia salvação para aquela alma perdida e expulsou-o de sua vida.

Hoje o que se sabe é que, contrariando o discurso falso moralista - como que para pagar a língua - ele anda na companhia de uma serigaita de cabelos cor de milho, saia e mente curtas que conheceu numa taberna da periferia de um reino pouco ortodoxo.

Pois é, toda história que começa com " Era uma vez"  tem realmente final feliz, não é?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Propaganda: medicamento de tarja preta!

Imagine você, sofrendo de diabetes, encontra com um representante de remédios e ele te diz que o laboratório onde ele trabalha tem um medicamento ótimo. Você toma, confiando na informação – afinal ele parece entender tudo sobre o assunto - e depois percebe que o remédio era para hipertensão.Arrependido, você procura um médico. Ele te diz exatamente como controlar a doença, quais as mudanças de comportamento que terá que adotar, pede exames de rotina e finalmente passa um medicamento eficiente.

Agora imagine um empresário, com uma fábrica de absorventes que precisa divulgar o seu negócio e recebe a visita de um contato comercial. Pode ser de uma emissora qualquer: rádio, televisão ou até mesmo jornal. Encantado com os projetos e vantagens apresentados assina um contrato de alguns meses. Vai veicular seu produto e ainda – olha só que vantagem – vai ter criação e produção sem nenhum custo. Inclusos no pacote.

Meses depois, detecta que não vendeu um único absorvente a mais do que vinha vendendo e descobre que aquele veículo tem como público alvo os homens.

Arrependido, chega a uma conclusão: Propaganda não funciona.

Diferente do que acontece com a saúde, a propaganda dificilmente tem uma segunda chance.

Assim como o representante de laboratório – que vende seus medicamentos como os melhores do mercado – o contatos de veículo vendem seu produto como a melhor saída para a divulgação de uma mensagem publicitária.

O mais seguro seria que, entre o representante de medicamentos e o paciente, houvesse um médico e entre o cliente e o veículo uma agência.

O papel da agência de propaganda é muito parecido com o do médico. Diagnosticar, pesquisar, criar situações e rotinas que facilitem a dinâmica da empresa e aí sim “receitar” a melhor forma de divulgação.

Quando o paciente ignora essas etapas e se automedica corre sérios riscos, inclusive de morte. O mesmo acontece com os empresários que fazem propaganda sem um profissional da área.

Quando comerciais são criados sem a preocupação com a marca, com a imagem e principalmente com a realidade do mercado e do cliente as chances de fracasso são imensas. E certamente quem vendeu essa falsa realidade não assume a responsabilidade. Vão afirmar que o problema é do produto oferecido. Comerciais veiculados em emissoras inadequadas ao público alvo são sempre perda de dinheiro e prejuízo para a imagem.

Propaganda é como remédio de tarja preta. Precisa de receita, de estudo de profissionais gabaritados e experientes trabalhando pelo seu produto.

O título desse artigo foi tirado de um bate papo com Bráulio Betônico.

terça-feira, 6 de julho de 2010

MINHA VIDA SEM MIM

Não, não é um título original. É de um filme que vi. Triste, denso, daqueles que faz a gente pensar se estamos no caminho certo.
Sem me preocupar com o “plágio” acho que o título é perfeito para esse artigo.
Você já se deu conta de que existe um mundo onde vivemos e agimos sem que saibamos?
É ! Um mundo paralelo, onde nossas opiniões e atitudes são comentadas por um grupo de pessoas, onde histórias do nosso passado são contadas com propriedade.
Uma vida sob a qual não temos controle nem responsabilidade, mas que nos é atribuída diariamente e tem uma força assustadora.
Comecei a perceber isso intuitivamente e depois lendo as insinuações feitas sobre mim em sites de relacionamento.
Comentários feitos por pessoas que não me conhecem, que nunca conversaram comigo, mas que sabem muito da minha "vida sem mim".
Há alguns dias um fato que seria cômico se não beirasse o constrangedor me fez ter certeza da existência dessa vida paralela.
Conversando com meu marido sobre isso, ouvi dele uma teoria bem parecida com essa.
Tudo começa com alguém que ouve alguma coisa de outro alguém que provavelmente não teve lá um bom relacionamento com você. A partir daí abre-se um portal e sua vida paralela passa a existir. As conclusões são tiradas e as culpas são atribuídas.
Não se trata de fofoca. É muito mais sério que isso. Trata-se de uma VIDA, que na cabeça dos obssecados por você é REAL. Eles acreditam, falam com propriedade e tem eco. E claro que ecoando não demora a ficar com uma riqueza de detalhes impressionante.
Chega um hora que a coisa é tão intensa que aqui, no mundo real, a gente acaba confuso. Pior, acaba triste, prejudicado pela fama que normalmente não é das melhores.
Tudo bem!! Eu até prefiro que certas pessoas não gostem mesmo de mim. Acredito que as pessoas que não gostam da gente dizem muito mais a nosso respeito do que as que gostam.
Minha mãe costumava me alertar na adolescência sobre as companhias citando sempre o ditado: “diga-me com quem andas e te direi quem és”. Não concordava com isso na época, achava injusto comigo. Colocava-me como alguém sem personalidade. Agora dizer: “Diga-me quem te odeia que eu te direi quem és”, pra mim faz todo o sentido.
Minha vida sem mim é cinematográfica. Sou tantas numa só ! De fazer inveja a Glória Pires. É tão intensa, tão cheia de mistérios que chego a ter inveja de tamanho poder.
Talvez um dia eu seja apresentada a ela, e aí, quem sabe, seremos grandes amigas !!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Publicitária adverte: A Propaganda pode fazer mal ao seu negócio.

Passei 3 anos tentando vestibular para ser enfermeira. Felizmente em 1983 fazendo cursinho em São Paulo conheci a Sueli, uma mulher com 40 anos que estava retomando os estudos com a intenção de fazer faculdade de jornalismo. Por estar com o conteúdo das matérias mais “frescas” na minha cabeça, ela que tinha parado de estudar há 20 anos, me pediu para ser uma espécie de professora particular pré-vestibular.
Passamos várias tardes debruçadas nos livros, apostilas e máquinas de calcular. Um dia ela me disse: - Chris, porque você vai fazer enfermagem? Não tem nada a ver com você. Tem que fazer jornalismo, publicidade. Alguma coisa na área das comunicações.
Na verdade, meu encanto não era bem pela enfermagem. O real motivo era realizar o sonho de morar em Ribeirão. Claro que podia ter feito qualquer faculdade aqui, mas a condição dos meus pais era: - Quer mudar para Ribeirão? Só se for para estudar na USP. E USP era sinônimo de medicina ou enfermagem.
Aceitei o conselho da Sueli e resolvi prestar Publicidade na faculdade Cásper Líbero. Para minha surpresa, depois de 2 meses lá estava meu nome em 6ª lugar na lista dos aprovados.
Alegria na família. Certa tristeza em mim. O plano de morar em Ribeirão teria que ser adiado.
Não precisou muito tempo para que eu me apaixonasse pelo curso, pela faculdade pelos professores e colegas. Entendi rapidamente que tinha feito a escolha certa.
Os anos de Cásper foram sensacionais. Me envolvia em todas as atividades fosse curso, palestra, simpósio, agência experimental. Ajudava, aprendia.
Não foi difícil conseguir o primeiro emprego na maior agência de propaganda do país, a Almap, apesar dos protestos do meu pai, que sem entender muito bem o que fazia e pra que servia o curso achava um absurdo eu ter estudado tanto pra ser atendente do Mappin.
Foram 10 anos, muitos empregos e muita experiência até que eu conseguisse finalmente vir para Ribeirão.
Depois de dois telefonemas, um pedindo uma indicação a um ex chefe e outro para o Zé Adolfo, proprietário da Rádio Difusora FM na época, desembarquei com família e tudo na tão sonhada cidade.
Andava pelas ruas em estado de graça, feliz com minha conquista.
E lá se vão 16 anos. A adaptação pessoal foi muito tranqüila, mas a profissional foi terrível. Não conseguia me conformar com certas posturas do mercado. Aliás, continuo não me conformando.
Já fui contato e gerente de emissora de rádio, diretora comercial de empresa de outdoor, tive um hiato de 5 anos como produtora e voltei a atuar como publicitária num centro Universitário. Hoje sou sócia de uma agência de propaganda e é nesse papel que mais sofro com as agruras dos péssimos profissionais.
Todas as áreas da propaganda são importantes para que o mercado cresça se profissionalize e exerça o seu principal papel: Propagar. Divulgar um produto, uma marca, um serviço com retorno para o cliente.
O que acontece é que emissoras atuam como produtoras – “ahh pra facilitar a vida dos clientes diretos”- E atuam também como agências – “ahh fica mais barato! Pra que pagar 20% pra agência?”
Isso sem falar das agências que tentam tirar contas de outras agências leiloando seu ganha pão.
Nessa guerra de interesses quem perde sempre é o cliente que acha que está levando grande vantagem fazendo tudo direto com as emissoras.
Muitos empresários não entendem a importância da agência. Não conseguem confiar no trabalho, esperam resultados imediatos mesmo que sem consistência.
Algumas emissoras vivem da ingenuidade de muitos clientes. E sem o menor pudor. Os contatos são pressionados pelos gerentes que por sua vez tem metas irreais a cumprir, impostas pelos proprietários. Já estive desse lado, sei bem como funciona.
Vendem pela emoção tentando fingir profissionalismo.
É a banalização da propaganda. É o famoso “tá bom assim”. E o mercado fica estagnado, empobrecido.
Nos coquetéis, sócios de agências se encontram e discursam sobre a moralização do mercado, mas no dia seguinte descobrimos que esse mesmo falastrão cobra uma fortuna por uma apresentação em Power Point, gerando no cliente desconfiança e descrença no trabalho.
Emissoras sérias compram pesquisa Ibope independente da posição que ocupam no ranking e fazem disso uma ferramenta para negociação. As emissoras oportunistas dizem que ficaram em 7ª lugar porque deixaram de comprar e não que deixaram de comprar porque estão em 7ª lugar. E o cliente acredita, porque não é o foco do negócio dele. É o foco da agência, da mídia, que como eu estudei para isso.
São poucos os contatos de emissoras que conseguem discutir e negociar contratos de mídia com base nas pesquisas. Preferem desacreditar um instituto de 67 anos questionando os critérios na realização da pesquisa.
Emissoras de TV usam audiências de outra cidade como sendo daqui e assim ignoram a competência dos profissionais das agências para avaliar e estratificar resultados.
Estão vivendo a época do “vendo pro tio do amigo do vizinho”.
Mais fácil que aprimorar, que profissionalizar é puxar o saco do cliente vaidoso falando o nome dele no ar todos os dias.
É mais fácil ignorar as leis da ética e dos direitos autorais e depois de uma campanha criada e veiculada com sucesso dizer ao cliente: - Nem usa mais agência não, pega o spot e “vincula” aqui comigo direto.
Avaliando as barbaridades do mercado ribeirão-pretano me peguei fazendo um paralelo com o que seria a minha profissão caso a Sueli não tivesse aparecido na minha vida:
Imagine que a agência é o médico, o cliente é o paciente e as emissoras são os representantes de medicamentos dos laboratórios.
O representante de cada laboratório vai sempre dizer que o medicamento dele é o melhor, o mais eficiente. O paciente que não tem consciência do risco que corre e que prefere economizar a consulta vai comprar o remédio indicado mesmo que ele tenha várias contra-indicações. O médico que é o único com competência e segurança para avaliar os problemas e apontar as soluções é ignorado. E todo mundo sabe: medicamento errado pode causar vários problemas inclusive a morte.
Concluindo a minha analogia: na propaganda não é diferente.

Posso errar? Por Leila Ferreira


Pessoal, esse texto não é meu, mas é brilhante. Aliás é calmante!!! Delicioso.



"Há pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com o xampu “errado”. Foi num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de ver que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia nem shopping num raio de 10 quilômetros . A única opção era usar o dois-em-um (xampu com efeito condicionador) do kit do hotel. Opção? Maneira de dizer.
Meus cabelos, superoleosos, grudam só de ouvir a palavra “condicionador”.
Mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxaguei, fiz a escova de praxe e... surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes —
tudo aquilo que meus nove vidros de xampu “certo” que deixei em casa costumam prometer para nem sempre cumprir. Foi aí que me dei conta do quanto a gente se esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa — e a pergunta que não quer calar é: certa pra quem? Ou: certa por quê?
O homem certo, por exemplo: existe ficção maior do que essa? Minha amiga se casou com um exemplar da espécie depois de namorá-lo sete anos. Levou um mês para descobrir que estava com o marido errado. Ele foi “certo” até colocar a aliança. O que faz surgir outra pergunta: certo até quando?
Porque o certo de hoje pode se transformar no equívoco monumental de amanhã. Ou o contrário: existem homens que chegam com aquele jeito de “nada a ver”, vão ficando e, quando você se assusta, está casada — e feliz — com um deles.
E as roupas? Quantos sábados você já passou num shopping procurando o vestido certo e os sapatos certos para aquele casamento chiquérrimo e, na hora de sair para a festa, você se olha no espelho e tem a sensação de que está tudo errado? As vendedoras juraram que era a escolha perfeita, mas talvez você se sentisse melhor com uma dose menor de perfeição. Eu mesma já fui para várias festas me sentindo fantasiada. Estava com a roupa “certa”, mas o que eu queria mesmo era ter ficado mais parecida comigo mesma, nem que fosse para “errar”.
Outro dia, fui dar uma bronca numa amiga que insiste em fumar, apesar dos problemas de saúde, e ela me respondeu: “Eu sei que está errado, mas a gente tem que fazer alguma coisa errada na vida, senão fica tudo muito sem graça. O que eu queria mesmo era trair meu marido, mas isso eu não tenho coragem. Então eu fumo”. Sem entrar no mérito da questão — da traição ou do cigarro —, concordo que viver é, eventualmente, poder escorregar ou sair do tom. O mundo está cheio de regras, que vão desde nosso guarda-roupa, passando por cosméticos e dietas, até o que vamos dizer na entrevista de emprego, o vinho que devemos pedir no restaurante, o desempenho sexual que nos torna parceiros interessantes, o restaurante que está na moda, o celular que dá status, a idade que devemos aparentar.
Obedecer, ou acertar, sempre é fazer um pacto com o óbvio, renunciar ao inesperado.

O filósofo Mario Sergio Cortella conta que muitas pessoas se surpreendem quando constatam que ele não sabe dirigir e tem sempre alguém que pergunta: “Como assim?! Você não dirige?!”. Com toda a calma, ele responde: “Não, eu não dirijo. Também não boto ovo, não fabrico rádios — tem um punhado de coisas que eu não faço”. Não temos que fazer tudo que esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos. Como diz Sofia, agente de viagens que adora questionar regras: “Não sou obrigada a gostar de comida japonesa, nem a ter manequim 38 e, muito menos, a achar normal uma vida sem carboidratos”. O certo ou o “certo” pode até ser bom. Mas, às vezes, merecemos, aposentar régua e compasso."

Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro Mulheres – Por que será que elas..., da Editora Globo

sexta-feira, 19 de março de 2010

GENTE QUE ENTENDE !! ARGH !!!




Se tem uma coisa que me incomoda é gente que acha que entende! Sabe aquele tipo que se “especializa” em determinados temas e quando o assunto cai na roda tece comentários tão contundentes que nos faz pensar, mesmo que por milésimo de segundo, que é o senhor da razão?
Conheço vários. Pessoalmente, no twitter, no facebook ou nas frases que se transformam em dicas do Orkut. Digo “dicas” pra pegar leve, porque são praticamente uma ameaça. Socorro!
A pessoa fica tão obcecada pelas bandeiras que levanta que a coisa fica chata.
Tem uma senhora no twitter que diz que tem a missão de “ajudar as pessoas a serem mais felizes, embelezando corpo e alma”. Bom, pretensão e água benta estão ai, pra todo mundo usar o quanto quiser, né? A coisa é tão pesada, que quando se depara com alguém um pouco mais queimada de sol escreve frases agressivas contra a pessoa, como se a falta do uso de filtro solar fosse um crime inafiançável. Medo!
E o “entendido no boteco”? Grupo discutindo de forma divertida, descontraída um determinado assunto numa mesa de bar e ele aparece. Pronto! A discussão vira monólogo e o grupo se dispersa. Pode ser chamado também de “espalha rodinha”.
Tem o “recém-formado” que faz de qualquer conversa uma oportunidade de mostrar o conhecimento adquirido. Se for da área do direito nossa vida vira um tribunal em questão de segundos!
E tem a experiente. Apesar de afirmar que tem 44 anos você jura que, prá ter vivido tanta coisa, tem que ter no mínimo 65. Normalmente atuaram nas mais diversas áreas: do teatro a saúde, passando por TV e afins. Sumidades. A gente fica até constrangida diante de tanta sabedoria. É aquele tipo que um papo a dois vira consultório e uma roda vira platéia.
Tem aquele que entende de doenças, médicos e hospitais. Reclamar de uma dor de cabeça perto dele transforma sua vida num inferno temporário de receitas, bulas e histórias piores e mais tristes que a sua. Conhece todo tipo de doença existente no mundo, incluindo aquelas você nem imaginava que existiam. É punk!
O Twitter tá cheio de entendidos. Entendidos de futebol, de novelas e especialistas em BBB. Coisa de louco! Criticam, esbravejam, falam mal, mas NUNCA mudam de canal. Ó ! rimou.
E os críticos de cinema? São espetaculares. Pagam ingresso, assistem ao filme e depois escrevem sobre o que viram. Com raras exceções, críticas de cinema são um resumo do filme com pinceladas de palavras do tipo: fotografia maravilhosa, trilha sonora deliciosa, atuação do fulano de tal está brilhante.
Uma pessoa sem conhecimento acrescenta pouco, é fato. Mas aturar os pretensiosos de plantão é muito ruim.
Eu, só sei que nada sei, mas até pra chegar a essa conclusão precisei saber alguma coisa! Entendeu?

terça-feira, 16 de março de 2010

E-MAIL RESPONSÁVEL !


Todas as vezes que recebo aqueles e-mails do tipo “Ajudem, meu filho foi seqüestrado” fico imaginando como ainda existem pessoas que acreditam nesse tipo de apelo.
Algumas das crianças que tem suas fotos circulando pelos e-mails estão há tanto tempo “desaparecidas”que provavelmente hoje tem mais de 18 anos. E elas vão mudando de nome e de endereço e muitas vezes de história ao longo dos anos.
Hoje recebi um e-mail totalmente descabido que tinha a pretensão de contar a história da Patrícia Pillar quando teve câncer de mama. Fiquei indignada. Se não bastasse o câncer, inventaram um monte de complicações cabeludas pra piorar o que já é ruim o suficiente.
Ontem recebi um e-mail que alertava sobre o perigo da vacina contra a Gripe suína, contando sobre uma possível conspiração de um laboratório americano. Enfim, um e-mail totalmente desprovido de RESPONSABILIDADE.
Aliás, esse tipo de e-mail é sempre muito irresponsável. Nunca sabemos qual é a reação da pessoa que recebe. Além disso, nos faz perder tempo e energia.
Resolvi lançar uma campanha: “E-mail Responsável – avaliar antes de repassar”.
Passou da hora de assumirmos que podemos sim fazer com que a rede de informações seja eficiente e principalmente produtiva.
Precisamos parar de dar foward em tudo aquilo que recebemos sem pensar. É simples: Basta ler, avaliar, questionar se aquilo é mesmo possível.
Minha caixa postal tem hoje mais de 2000 e-mails sem abrir. Desses pelo menos 80% serão absolutamente inúteis, mentirosos e não vão acrescentar absolutamente nada.
Acho válidos os vídeos, as piadas, as fotos, os textos (muitas vezes de autoria mentirosa, um fato). Mas correntes de oração, seqüestros, doações, avisos alarmistas são um saco.
Como é que você pode impor a alguém que mande uma determinada corrente pra 12, 15 20 pessoas sob pena de queimar no fogo do inferno se não fizer? Quem é esse Deus que as pessoas acreditam? O Deus que eu acredito tem muito mais o que fazer do que ficar contando pra quantas pessoas repassei determinada reza que nem sei quem inventou.
Como alguém pode realmente acreditar que Nokia vai dar um celular de graça, ou que a Nestlé vai dar uma cesta de produtos se repassarem o e-mail pra um determinado número de pessoas?
Quando recebemos um e-mail de alguém que desapareceu ou está doente e queremos ajudar, vamos realmente fazer alguma coisa: ligar para o contato que está no e-mail, por exemplo, saber do que precisam. Porque só repassando o e-mail não estamos fazendo nada além de transferir o problema pro outro. Fazendo contato, podemos descobrir que é mentira, ou que a criança foi encontrada há 3 anos (como aconteceu comigo quando liguei).
Queremos mesmo ajudar ? Estão vamos divulgar a campanha “E-mail responsável”. Tenho certeza que seremos bem mais produtivos.
Pense, a web está tão cheia de mentiras e estórias que se algo sério realmente aparecer corremos o risco de não acreditar.
Divulguem, copiem e colem no seu e-mail e dêem foward. Mas não se esqueçam de colocar seus contatos em cópia oculta.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Refletindo sobre "Avatar"





Não sou crítica de cinema, nem pretendo ser. Já tem gente demais fazendo isso sem competência.

Na verdade o que pretendo aqui é passar minha impressão de espectadora.

Fomos, meu marido, os amigos Dani, Jo e Evandro e eu assistir no domingo o Avatar em 3D. Chegamos cedo, primeiros da fila. Uma espera deliciosa de uma hora e vinte, papeando e tomando milk shake de Ovomaltine.

A primeira dúvida: Hummm esses óculos, como serão? Será que esterilizam? Coisa de caipira na primeira viagem em 3D. Tudo perfeito, óculos limpos e confortáveis que em nada lembram aqueles de papelão com lentes cada uma de uma cor que usávamos antigamente.

Sentamos no meio do meio - recomendação expressa do Cleido. Depois percebemos que todo mundo no cinema tinha uma teoria para justificar o melhor lugar e percebemos também que em todo o cinema a visão é a mesma.

Traillers todos em 3D. Já fiquei maravilhada... o Alice no País das Maravilhas será imperdível.

Avatar é um filme expetacular. Não só pelos efeitos que em 3D ficam sensacionais, mas pela sensibilidade, pela mensagem, pelo roteiro, pela fotografia... merece o Oscar.

Saímos de lá com a sensação de que a natureza não toma partido, ela simplesmente faz o que tem que ser feito para salvar suas espécies. Temos exemplos todos os dias disso: Construções em morros que acabam em avalanches, aterros que acabam com enchentes. E chamamos isso de catástrofe, chegamos a pensar que somos vítimas, quando na verdade somos sim os responsáveis por essas coisas. A maior lição do filme, é a questão ecológica. Sem ser piegas.

Infelizmente 80% das pessoas que veem o filme só enxergam os efeitos, as lutas, no máximo a história de amor entre uma Navi's e um Avatar. Afirmo isso sem medo de errar.

Somos daqueles, meu marido e eu, que ficamos no cinema até que suba o último crédito. Gostamos de ver. Quando saímos da sala no domingo levamos um susto com a quantidade de sujeira de pipoca de copos descartáveis jogados pelo chão, por sobre as cadeiras. Ai que digo: Ninguém entendeu nada. Uma pena!
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