Sobre o Conteúdo do Blog

Blog de histórias reais e de ficção.
Um lugar para expor opiniões que provoquem dor ou delícia!
Qualquer semelhança com histórias ou comportamentos reais poderá ter sido mera coincidência. Ou não!



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

As Ex dos Ex


Todo mundo tem passado. Fato! Todo mundo tem um ex, ou dois, ou sei lá, dez, quinze...E esses infelizes, também tiveram as suas ex.  Aí, a coisa vai crescendo em proporção geométrica. Seria cômico, se não fosse trágico. Pelo menos durante o tempo em que o relacionamento dura. Depois que acaba, é cômico mesmo. Vira piada, vira história, vira crônica de blog.

Meu primeiro namorado sério, tinha tido só uma ex. Nome forte, estrangeiro, sabe? Meio nórdico. Imaginava a moça grandona, loira e firme. Deu um pé na bunda dele praticamente na porta da igreja e me inspirou. Se ela fez, eu também podia. E fim!

Antes dele, tive aquele amor de infância e adolescência. Deus do céu, como tinha ex ! De todos os tipos e qualidades, mas felizmente, naquela época eu era bem jovem, inocente e imatura e não me incomodava com as fulanas além do ciúme normal de “namorada da vez”. O que me restou, foi ser ex também. Aliás, sou a ex que mais incomoda a atual. Incomodo só pelo fato de existir. Diversão garantia, pra mim, é claro.

Meu ex marido, teve duas ou três ex. Nenhuma que valesse a pena o incomodo, mas eu, com auto-estima abaixo de cu de cobra, achava qualquer uma delas melhor que eu. E quer saber? Nem se amassasse as três daria meio kibe!

Aí veio o príncipe encantado, com cavalo branco e flores, jóias e palavras lindas. Esse não tinha ex. Tinha atual mesmo! Fazer o que, né? Ninguém é perfeito, nem o suposto encantado.

E o menino? Gente... o menino tinha um vigor! Não se contentava em colecionar ex, mantinha a maioria na vida,  de stand by. Muita gente, praticamente um time, quiçá uma torcida. Acabou fisgado pela primeira namoradinha séria, aprovada pela mamãe e hoje paga de bom marido, bom pai e bom filho. Sinal dos tempos... Ou, o fim.

Nenhuma dessas ex, citadas acima,  incomodava de verdade. Fazia muito mais parte do meu imaginário, do que qualquer outra coisa.

Um dia, não satisfeita em arrumar um psicopata pra namorar, arrumei um que tinha uma ex daquelas malucas. A mulher encasquetou que tinha sido abandonado por minha causa. Não adiantava o Papa explicar que, quando eles se separaram, eu morava em São Paulo e não fazia ideia da existência dos dois. Ela ligava o tempo todo para ele aos berros. Dizia que conhecia meu passado e todos os dias ameaçava fazer uma revelação bombástica sobre a minha vida. Ele, doente que era, acreditava e ficava tentando tirar de mim, em primeira mão, as tais histórias escabrosas. Lá se vão 10 anos e até hoje eu não tenho noção do que ela estava falando, suspeito que nem ela. Entre outras pérolas, ameaçou me bater. – “Reza, viu (dizia berrando para o psico ao telefone) Reza pra eu não encontrar essa vagabunda no Wal Mart, porque se isso acontecer, eu acabo com ela. Dou uma surra, ela vai sair de lá carregada”.  Nessa hora, me vinha à memória a foto que ele tinha me mostrado e eu pensava: - Vai precisar só um empurrão... A mulher pesava quase 150 quilos.
Com o passar do tempo, ela acalmou, emagreceu e reconheceu que tinha exagerado. Quem não conseguiu superar foi ele, que até o fim insistia em saber sobre tais histórias que ela mencionava.

Aí veio o campeão nacional das ex. O cara com síndrome de Fábio Júnior. Na época que começamos a namorar, algumas das ex resolveram dar o ar da graça das mais diversas formas. Teve a que me ligou, educa e gentilmente, pedindo para falar com ele. Precisava resolver questões importantes e inadiáveis. Quando soube, por ele, do que se tratava, fiquei passada.  Teve a que me chamou de “namoradinha vagabunda”. Arrogante preferiu culpar a mim pelo fim do casamento.  Afinal, não acabou porque ela era mimada, ou porque o colocou para fora umas três vezes, ou porque dizia antes do casamento que ele não cabia na casa dela e nem porque o mandava calar a boca publicamente. Não! Nem foi porque era tão chata, tão chata, que só Plasil na veia daria conta de tanto enjoamento. Não bastasse essas pérolas, lá pelas tantas,  surge a  hors concours. Parecia afim de uma reaproximação e não poupou esforços. Primeiro, pediu para uma funcionária ligar propondo que ele prestasse serviço para a empresa dela. Não teve sucesso. O cara não tinha nada de tonto.  Depois começou  a mandar e-mails, com certa regularidade, dizendo que ele merecia coisa melhor, que eu era muito maldosa e outros “mimimis”. Antes da assinatura e do beijo fazia questão de escrever: “Sinto sua falta todos os dias”. Maldoso era ele que me mostrava tudo, né? Enfim, sem resposta, foi a vez da mãe dela entrar na parada.  Não só falava mal de mim, como enaltecia o cara que um dia,  sem piedade, deu um pé na bunda da filha no pior momento da vida dela. Vai entender. O fato é que quem merecia coisa melhor era eu. Ela também, mas talvez nunca tenha se dado conta disso.

Fico imaginando como será a ex do meu futuro. Já pensou se a dita for daquelas com complexo de Úrsula? É!! Aquele tipo capaz de se jogar da escada pra manter a atenção de um homem ou que arranca os próprios cabelos se ele não atende uma ligação, ou ainda que tem a capacidade de cortar os pulsos quando descobre que ele está num novo relacionamento. 

Então... Oremos! 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Pelo Direito de comer Queijo Parmesão!



Quando eu crescer, quero ser cientista política. Talvez o título me dê, milagrosamente, a capacidade de entender o “coitadismo” que se instalou nesse país de uns tempos para cá.

Antes o politicamente correto já me deixava de saco bem cheio, agora, esse caça às bruxas que se instalou, nos discursos dos defensores dos fracos e oprimidos está me tirando a paciência.
Ser branca, ter nascido no sudeste numa família de classe média, de repente fez de mim a culpada pelas agruras do mundo. E você que está lendo, caso se encaixe na descrição, ou em parte dela, também está sendo condenado.

A defesa pelo tal dos direitos iguais, está deixando as pessoas fora da casinha. Que direitos iguais? Quem foi o filho da puta que disse que tem que ser assim? As pessoas não são iguais, não tem a mesma capacidade, não nasceram para viver a mesma história. Vamos parar com essa hipocrisia. Vamos deixar de sentir culpa por ser melhor que o outro, por ter mais oportunidade que o outro. Isso não pode ser um pecado.

Maldita colonização portuguesa, pautada na crença da maldita igreja católica que premia a desgraça e condena o sucesso. E se não bastasse, sugere amorosamente, que você divida aquilo que ralou pra conquistar, sob pena de queimar no mármore do inferno.

Nunca vi tanta gente condenando a “elite branca”. Que porra é essa? Nem vou entrar no mérito político econômico do “quem paga os impostos do país, para bancar os programas sociais e blablabla”. Estou falando aqui, do direito de ser elite – se é que podemos chamar a classe média de elite, né gente? Vamos combinar que a coisa tá longe disso, mas... Estou falando do direito de ser branco, do direito a ter condições de vida melhor do que de outras pessoas. Caramba, tenho piores condições do que de tantas outras... Aí pode?

Tenho 50 anos, trabalho há trinta – é comecei tarde, meu papai é classe média, lembra? Será possível que não tenho direito de reclamar do preço do queijo parmesão? Por que??? Por que tem o cara que não tem condições de comprar feijão? E o cara que come trufas brancas italianas, deve parar de come-las por que eu não posso comprar?

Fiquei achatada, entre a cruz e a caldeirinha. Virei sanduiche. Estou numa posição social onde, por exemplo, não tenho condições de pagar uma faculdade particular de qualidade para meu filho, esse mesmo filho, poderá não conseguir uma vaga numa faculdade pública e como ele não faz parte de nenhum grupo com direito as tais cotas, provavelmente cursará uma faculdade particular medíocre. É o que temos para o momento! Afinal, somos a “elite branca” do país.

Gostaria de saber desses pseudos defensores das classes menos favorecidas, quantos pobres, negros e nordestinos eles levaram para morar em suas casas, grandes e arejadas! Quantas instituições eles ajudam. Quantos pratos de comida eles distribuem para os que moram nas ruas. Fazer reverência com chapéu alheio é uma beleza. Justificar o posicionamento político usando esse argumento é covarde. Atribuir só ao governo a responsabilidade de mudar um país é cruel. Cruel, com essa mesma população menos favorecida que eles defendem sentados confortavelmente atrás de seus notes, laptops, apples e afins.

Fui rotulada! Sou a “elite branca”. Tipo ebola social. Com isso, perdi o direito de reclamar, perdi o direito de questionar e perdi o direito de comprar queijo parmesão. Mas tudo bem, já combinei com D. Clotilde, lá de Ibitinga. Entre um bordado e outro, ela vai me fazer um queijo meia cura!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Vai chamar de que???



Hoje me ocorreu - sei lá porque diabos – que em todos os relacionamentos que tive, tive também um apelidinho, desses que os casais se dão. Às vezes bonitinhos, às vezes beirando o ridículo, mas quem não é ridículo quando está apaixonado, né não?

No meu primeiro namoro sério, daqueles que a gente apresenta pra família, e todo mundo odeia o cara com força, o infeliz me chamava de “Macaca”. É, macaca! Tudo porque, um dia o maledeto ouviu uma conversa minha com uma amiga, onde eu dizia que precisava fazer depilação. Estava parecendo a Monga do Playcenter.  Houve uma tentativa dos diminutos, tipo “Pituquinha”, mas não pegou não.

Entre ele e meu primeiro marido, tive alguns relacionamentos rápidos que não geraram nenhum, digamos,  chamamento especial... se é que podemos usar a palavra chamamento para isso.
Aí veio o cara que acabei por me casar. Iniciamos uma tentativa de “Amor” pra cá, “Amor” pra lá, mas o coitado do amor foi sofrendo mutações e no final éramos “Zauer”. Nem me perguntem por quê.  Aliás, não foi só o apelido que mudou, o amor também.

Aí, veio a fase em que vivi um conto de fadas. Moço lindo, cheiroso, educado, inteligente, safado na medida certa, apaixonado por mim e claro, como não podia ser só qualidade, casado. Para combinar tudo de vivemos, ele me chamava de “Princesa” e eu brincava chamando-o de “Meu rei” sem dispensar um sotaque baiano, claro. A história acabou sem um final feliz, mas deixou tanta coisa boa pra lembrar...

Engatei outro romance e outra tentativa de “Amor” na forma de chamar, mas foi em vão. O moço era tão raso, insosso e covarde que muitas vezes pensei duas vezes para não chamá-lo de “Pamonha”. 
Outro mocinho, outra paixão fulminante, rasa, mas fulminante. Ele me chamava de “Paixão”, tipo, pra combinar, né? Não!!! Provavelmente, porque chamava todas as 45 mulheres com quem se relacionava da mesma forma. Melhor não arriscar.

Mais um tempo e veio o tal do psicopata. O cara custou pra assumir alguma coisa, mas quando o fez, passou a me chamar de “Pequena”. Fácil de entender: Tinha sido casado por 20 anos com uma mulher que pesava 140kg. Aí, qualquer uma, na casa dos dois dígitos fica mignon. Acho que tinha também um componente “década de 60”, sabe? Naquela época era meio comum chamar a mulherada assim. Enfim, pequena foi a minha alegria, pequena foi a minha paciência e menor ainda a possibilidade de sentir falta de qualquer coisa que se relacione a essa época.

No meu segundo casamento, fui logo tratada de “Amor”, assim, com a boca cheia de certeza!!! A princípio gerou certo desconforto, visto que ele tratava a número quatro da mesma forma. Diante do meu olhar incomodado, foi logo se explicando:

- Não tenho como te chamar de outra coisa, você é meu amor mesmo!

Derretida, não só acreditei na explicação, como incorporei e passei a tratá-lo da mesma maneira. Hoje ele chama a número seis de “amor” e, sério, não tem como não achar hilário. Provavelmente, deu a ela a mesma explicação, e a coitada, tão crédula quanto eu fui um dia, achou lindo e retribuiu.


No meu próximo relacionamento, serei chamada de Chris, e o chamarei pelo nome. Usarei às vezes um diminutivo, quem sabe, ou uma abreviação que farei questão de falar de forma feliz, prolongando a última sílaba do tamanho da alegria de vê-lo. Eventualmente ele me chamará de “linda” e eu, porque também o acharei bonito demais, corresponderei chamando-o de “Meu Lindo”. 
Mas isso vai ser um dia.... um dia desses... quem sabe!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Sob o Signo de Peixes! 10


Desconfiada de Zé Edu, Tânia não se cansava de procurar pistas que comprovassem que estava sendo traída.
Não sabia que reação teria se sua suspeita se confirmasse mas, a ideia de ser enganada estava tirando-a do sério.

Na semana que antecedeu o Natal, Tânia achou uma pequena sacola de joalheria no armário dos ternos do marido. Aquilo aguçou sua curiosidade e não resistiu ao impulso de abri-la.
Com cuidado, tirou o pequeno lacre, pegou a caixa e abriu: uma aliança, quadrada, com um pequeno brilhante cravejado. Precisou respirar fundo para não ter um ataque de raiva.

- Não acredito !!!!!

Lamentou que as dicas sobre o colar de esmeraldas não tivessem surtido efeito.

Na véspera de Natal, antes de saírem para a Ceia na casa dos tios dela, propôs a Zé Edu, que trocassem os presentes ali mesmo. Queria um momento de intimidade com o marido.
Ele achou o pedido inusitado, Tânia adorava mostrar os presentes que ganhava para a família mas, como se sentia culpado pela pouca atenção e carinho que vinha dispensando a ela, resolveu aceita.

- Eu começo, disse ela, enquanto entregava uma caixa muito grande e ligeiramente pesada. Ele abriu e se deparou com dois vinhos embrulhados numa calça jeans, duas camisas e charutos. Achou tudo aquilo estranho. Nada combinava com ele. Parecia um amontoado de coisas colocadas juntas para fazer volume.
Tentou sorrir e dizer que tinha adorado, mas era nítida a apatia.

Então, ele entregou a ela uma sacola grande, de uma famosa boutique da cidade.
Tânia franziu a testa, olhou meio de lado, abriu a sacola e a caixa que estava dentro e deu de cara com um vestido de festa, lindo, visivelmente caro.
Ela adorou. Era lindo, era a “cara dela”. Mas, se aquela aliança não era para ela.... Preferiu não concluir.

Seguiram para a casa dos tais tios, foram recebidos com festa. O ambiente acolhedor e alegre, regado a muita bebida e petiscos, fez com que Tânia esquecesse, pelo menos temporariamente, a sacola encontrada no guarda-roupas do marido.

Zé Edu, apesar de participativo, não conseguia disfarçar a tristeza do olhar. Onde estaria Beatriz? Ela disse que iria para a casa da avó, já velhinha, mas ele tinha medos, muitos!
Depois do jantar, começou a entrega do tradicional “Amigo Oculto” e de repente Tânia pensou que talvez Zé Edu a tivesse tirado no sorteio.

- Claro, por isso ele escondeu a aliança no fundo do armário!

Não conseguiu esconder a decepção quando Zé Edu entregou alguns livros ao irmão dela.


Foram para casa já de madrugada. Tânia não conseguia tirar a imagem da aliança quadrada da cabeça, Zé Edu não conseguia parar de pensar em Beatriz.

sábado, 9 de agosto de 2014

Em nome do Pai !!!



Falar de pai é assunto delicado. Não no sentido do melindre, mas da emoção.

Fico pensando qual a minha memória mais antiga com o meu...

... 1967, eu com três anos, e ele me levantando para ver, pelo vidro do berçário, minha prima Adriana que tinha nascido há algumas horas.

Docão, como carinhosamente o chamo, foi exímio jogador de bola e dividiu o campo com dois capitães da Seleção Brasileira: Mauro e Bellini. Ele se orgulha disso, eu também. Abdicou do sonho por pressão familiar e virou funcionário público. Ele se orgulha disso, eu também, apesar de sentir certo pesar em sabe-lo frustrado.

Perdeu o pai aos 4 anos, mas guarda dele lembranças tão profundas, que me causam arrepios. Todos os carros que comprou foram azuis. Eu nunca entendia, até saber que era a cor do Ford 29 que meu avô Pedro tinha. Dia desses, soube que já em 1934, o dono do Fordinho era assinante do O Estadão, aí entendi porque meu pai assina o jornal desde que me conheço por gente, inclusive na fase, em que eu e meu irmão, queríamos muito que ele assinasse o Jornal da Tarde.

Tenho ótimas histórias para contar. Histórias que ele sempre fez questão de construir conosco:

A caixa com meia dúzia de Nha Bentas, sagradas, trazidas uma vez por mês, no dia do pagamento. Ele, bancário durante a semana, atrás de um balcão de padaria aos sábados e domingos, para conseguir um dinheiro extra, provavelmente para realizar algum sonho familiar. É, nunca nada só pra ele. Sempre o coletivo.

Nossas férias em São Vicente – a praia é melhor que Santos, ele dizia – e depois no Guarujá – agora tá melhor que São Vicente, né filha?

Nossos carnavais, na Recreativa em Pontal. Dançávamos muito, bebíamos whisky, nos divertíamos a valer. Meu baile de debutantes, ele, orgulhoso, desfilando comigo no mesmo clube. Ah, ensaiamos a valsa em casa, algumas vezes, para evitarmos o mico. Deu certo!

Dono de um nome que detesta, Aparecido, era motivo de piada consentida, junto aos meus colegas de colégio:

- Quando o Aparecido aparece, nóis desaparece!! E ele achava graça.

Não estava quando fui crismada, viajou a trabalho – meio que um prêmio de reconhecimento ao excelente trabalho que exercia no Banco do Estado – por quase todo o nordeste. Chegou carregado de presentes.

Detestava o primeiro namorado sério que tive, mas nunca abriu a boca para fazer campanha contra. No dia que contei que não era mais virgem e ele na sua sabedoria impressionante disse:-

- “E você achou mesmo, que eu achasse que você fosse, aos 24 anos e 2 de namoro?”

No dia que contei que tinha decidido não me casar mais com o tal cara que ele detestava, deu um sorrisão e disse:

- “Eu tinha esperanças de que você fosse acordar”

A alegria quando tirou uma Brasília no consórcio, teoricamente para mim e minha mãe. A cor duvidosa, escolhida para agradar a mim:

- Filha, você implica com meus carros azuis, então, como esse é você que vai usar, escolhi um “beginho”. Oh, Meldels, pensei, deve ter escolhido no escuro. Era verde abacate, com leite, tá certo, mas ainda assim feio!

Sempre sábio, cheio de experiências de vida e uma generosidade ímpar, nunca negou um ombro, os ouvidos e um conselho. Nunca negou ajuda, dinheiro, comida.

Sempre ajudou as irmãs, os sobrinhos, alguns amigos, genros, noras, desconhecidos.

Quando soube que eu ainda amava um namorado da adolescência, teve história pra contar e juntos choramos os amores impossíveis de nossas vidas. Consegui seguir em frente graças a ele, que me mostrou que outras relações sempre são possíveis.

Nós dois cuidando do meu casamento, lá no Esporte Clube Banespa em São Paulo e depois de braços dados entrando pelo salão – eu não quis casar na igreja e isso não foi, em momento algum, um problema - ele segurando pra não chorar e eu também.

O nascimento da Marcella e o choro desmedido de alegria, a notícia da gravidez dos meus gêmeos e o choro dele de emoção.

A frase certeira, diante das minhas queixas sobre o casamento:

- “Chris, as pessoas só fazem com a gente, aquilo que a gente permite que elas façam”. Nunca mais me esqueci disso.

Meu pai cuidou a vida toda de mim. Carinho quando tive hepatite, paciência quando tive Síndrome do Pânico e coragem quando tive câncer.

É a referência masculina dos meus filhos, que infelizmente perderam o pai há 6 anos. Para o meu pai, a perda do ex genro pesou. Ele o amava como a um filho, mesmo depois de estarmos separados há 11 anos. Pesou tanto que meses depois teve um AVC que o deixou debilitado por um tempo.

Docão nos deu mais alguns sustos, teve endocardite, teve outro AVC, mas hoje, aos 84, ele ainda cuida de mim, meus irmãos, sobrinhos e netos.

Difícil pensar nele sem me emocionar, difícil saber como será seguir quando ele não estiver mais aqui. Mas nem quero pensar nisso agora.


O importante é que em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, desejo que ele seja sempre feliz. 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Sob o Signo de Peixes ! 9



Apaixonaram-se rapidamente e diante da intensidade fizeram um pacto: Ficariam extremamente felizes quando estivessem juntos e quando precisassem estar separados, leriam os mesmos livros, ouviriam os mesmos discos, assistiriam aos mesmos filmes e seriam igualmente felizes com a presença um do outro nos símbolos, nas músicas, nas lembranças.

Com o final do ano se aproximando,  Zé Edu preparou uma surpresa para Beatriz.

Sabia que, a impossibilidade de estarem juntos nas festas, os deixaria com uma sensação de vazio. Não queria que sua “princesa” sofresse com isso.

Beatriz, por sua vez, queria se fazer presente. Queria estar no pensamento daquele homem, que a cada dia ficava mais impregnado na sua alma.

Sentamos um de frente ao outro, na cama do flat, tinham nas mãos caixas muito bem embrulhadas.

Olharam-se profunda e demoradamente, esboçando um sorriso amoroso. Olhos e bocas em perfeita harmonia.

- Você primeiro, disse Zé Edu, entregando à Beatriz o pequeno embrulho.

Ela, conhecedora das gentilezas do amado, imaginou o que havia na caixa que era, nitidamente, de joalheria. 
Não pode conter o espanto. Uma aliança, quadrada, com um brilhante, e um bilhete:

“Quero você! Sempre! Pra Sempre! Pra mim!”

Não conteve a emoção ao perceber o quanto ela significava para ele, que num primeiro momento lhe pareceu tão prático, tão desprovido de sentimentos profundos.

Entregou o pacote, de tamanho médio, bem embrulhado.

- Imaginei que seria muito complicado para você, justificar qualquer presente ao chegar em casa, então...

- Não! Deixa eu abrir primeiro, não me conte o que é - ele disse fingindo estar bravo, enquanto sorria largamente.

Pegou o pacote com cuidado, tirou o laço, olhou para ela, tirou o papel, olhou para ela, abriu a caixa e ficou boquiaberto.

Dentro uma gravata linda, com estampa larga que combinava perfeitamente com o estilo dele e no meio, bem posicionado um pingente de ouro.

- Arrumei uma forma de me manter perto do seu coração, disse Beatriz emocionada.

- Essa moeda- continuou - uma libra esterlina do início de 1900, com a imagem da Rainha Vitória de um lado e de São Jorge matando o dragão do outro - encontrei numa joalheria e mandei montar em pingente para você. Como sei que é colecionador de moedas de ouro, acho que você pode dizer que essa veio no meio de algum lote que comprou.

- Além de doce e linda, você ainda pensa em tudo. Estou completamente apaixonado, Beatriz. Vejo sua imagem em tudo, sinto o seu cheiro, ouço sua voz o tempo todo.

- Você também povoa o meu pensamento. Como é bom sentir tudo isso, não é?


O beijo que trocaram foi intenso. Mais do que já tinha sido antes. Houve uma entrega que agora, parecia envolver a alma e não mais só os corpos que se tocavam sedentos de prazer.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Sob o Signo de Peixes ! 8




Tânia acordou no exato momento em que Zé Edu entrou no quarto.
Abriu os olhos em tempo de vê-lo entrar no banheiro. Parecia entorpecido, quase flutuando.

-Desgraçado, pensou.

Foi invadida por um sentimento perturbador. Não o amava mais como antes, mas não conseguia imaginar sua vida sem ele. Não tinha mais o mesmo desejo e sabia que ele também não. Aliás, o dele havia acabo há tempos, mas  imaginá-lo nos braços de outra mulher provocava nela uma ira quase incontrolável.

Teve ímpeto de sentar-se na cama e esperá-lo como achou que ele merecia: Gritos, cobranças, pedido de explicação pelo adiantado da hora e pelo cabelo em desalinho. Pensou melhor sobre as conseqüências da atitude e avaliou não ser essa uma boa ideia.

Pensou em fingir que estava dormindo e esperar até a manhã seguinte. Precisa manter a calma. A compra do carro novo, aquele dos sonhos, ainda não tinha se concretizado.

Decidiu por um meio termo.

Ainda de olhos fechados, sentiu Zé Edu sentar na cama e depois deitar-se. Percebeu quando ele virou de lado. Nesse momento, ela abriu os olhos a tempo de vê-lo abraçar o travesseiro e levar a mão ao rosto. Foi aí, que passou o braço pela cintura dela e disse:

- Vou dormir sem um beijo de boa noite?

- Achei que já estivesse dormindo, não quis acordá-la.

- Boa noite, Zé. Continue aí, divagando em seus pensamentos – o tom da voz mostrava total irritação.


Tirou o braço, deitou-se de bruços e simulou choro sentido. Quando se deu conta de que Zé Edu não havia percebido, acendeu a luz do abajur e resolveu ler mais um capítulo de Madame Bovary.

                                                                                                                                                  Continua 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Quem me dera...




...Que neste 12 de junho, eu tivesse um novo amor. 
Quem me dera!!!
Se existisse, seria alguém que passou um tempo me admirando à distância e em silêncio e quando resolvesse chegar, teria tamanha delicadeza que me encantaria. Seria um amor novo que me acharia linda e me chamaria de Chris, pois teria total conhecimento de quem sou. Sim, chamar de "amor", de "querida", de "vida" é muito bonitinho mas é vago, quase banal. Eu o chamaria por apelido diminuto, prolongando a ultima vogal do tamanho da alegria que sentiria ao vê-lo e sempre que o visse, sorriria feliz. Sempre!
Ele me mandaria mensagens de madrugada e letras de musicas românticas ao longo do dia.  Seria fã de João Bosco e acharia pertinente dizer " o amor quando acontece, a gente esquece logo que sofreu um dia..."
E se no rádio tocasse a canção de Ivan Lins e Maria Gadu ele me chamaria no FaceTime  para ouvirmos juntos " te dar força, te encher de motivos, te dar mais valia..."
Seria um tantinho possessivo - o suficiente para provar o quanto me ama, ele diria - mas entenderia meu tempo e meu espaço.
Me olharia de forma tão intensa que me faria perder o fôlego e pensar: - Nunca um homem me olhou assim antes!
Seria dado a pequenas surpresas, um bombom na hora do almoço, um Polenguinho pro lanche da tarde, um carregador de celular para me manter conectada ao carinho dele por mais tempo.
Eu, ainda esfolada pelo passado, tentaria resistir a tudo isso, mas não conseguiria por muito tempo. Certamente, logo me renderia aos seus beijos prolongados que provocariam em mim um desejo tal, que há muito não sentia.
Seria um homem de cabelos lisos, olhos expressivos, perfume delicioso. Com humor único, divertido, até nos momentos mais difíceis.
Alguém que veria, invariavelmente o lado bom das coisas desse mundo e teria a sabedoria para entender, que cada pessoa que chega em nossas vidas, tem papel importante a cumprir.
Teria andar manso e bundinha redonda. Mãos macias e pezinho de criança! Cuidaria bem dos pais e dos filhos.
Meu amor seria popular, não pela fama, mas por ser tão querido, tão doce, tão solícito, que todos o reconheceriam. Seria generoso sem pensar em recompensa. Seria amigo a ponto de abrir mão de seu tempo precioso, para ouvir qualquer pessoa que fosse importante pra ele. Ainda que isso lhe custasse horas de sono.
Trataria meus filhos com respeito e admiração. Vibraria comigo pelo sucesso deles e jamais disputaria com eles para fazer sucesso comigo.
Esse amor -  quem me dera - ao me vir manhosa, gripada ou deprimida, viria me ver com um mimo. E esse mimo ficaria ao meu lado como um anjo guardião. AH!!! Esse homem, talvez tivesse o cuidado de espirrar no mimo, o mesmo perfume que usa e eu me sentiria mais segura cada vez que sentisse seu cheiro.
Talvez não andássemos de mãos dadas, talvez não expuséssemos nossa vida juntos. Teríamos sim, fotos um do outro, mandadas sorrateiramente por mensagem para matarmos saudade em dias de distância.
Cantaria Chico para ele "...o tempo que refaz o que desfez, e recolhe todo sentimento, e bota no corpo uma outra vez..." que, atento, ouviria quase sem respirar.
Tivesse eu esse amor, desejaria que fosse eterno enquanto durasse. E que durasse, até que a morte do amor nos separasse.
Uma história assim me faria feliz. Um homem assim, me conquistaria todos os dias um pouquinho e talvez, como que para poupar-nos de influências vis, nos mantivéssemos ocultos. Mas, não me furtaria a vontade de usar um poeta brega para admitir que "Por eu ter me machucado, Quase, quase que perdi, A doçura selvagem dos teus abraços, O amor mais lindo que eu conheci".

Quem me dera que hoje, no dia que se celebra o amor, ele existisse.
Quem me dera que eu pudesse olhar em seus olhos e dizer: Eu te Amo!!!






quarta-feira, 28 de maio de 2014

Sob o Signo de Peixes ! 7



Ainda sobre a primeira vez.


Chegou em casa sem saber como. Não conseguiu lembrar-se do caminho que fez. Entrou no quarto, olhou Tânia dormindo e sentiu um nó no estômago.
Não tinha ideia do que ia fazer com o que estava sentindo.

-Tá! Já tive vários outros casos, mas nenhuma mulher mexeu comigo assim – pensou. Ah, Beatriz! Quanta doçura, quanta delícia por trás de encantadora timidez.

Deitou-se devagar, virou-se de lado, sentiu o cheiro da noite de prazer em seus dedos. Fechou os olhos e tentou recuperar os detalhes vividos.

Beatriz em seus braços, olhar assustado, sorriso terno e nitidamente nervoso.  Beatriz na cama, olhar mudando a cada peça de roupa que lhe era tirada. Beatriz se transformando numa mulher fogosa, pronta pra um prazer intenso. Beatriz em êxtase, completamente entregue a ele.

Apertou o travesseiro contra o rosto e suspirou de prazer. Sentiu a braço de Tânia envolve-lo pela cintura. Gelou!

- Vou dormir sem um beijo de boa noite?
- Achei que já estivesse dormindo, não quis acordá-la – disse sem se virar.
- Boa noite, Zé. Continue aí, divagando em seus pensamentos. Tânia mostrou-se irritada com a falta de movimentação do marido.

Zé Edu nada respondeu, apenas fechou novamente os olhos e pensou na conversa com Beatriz há poucos minutos:

    - Você vai ficar bem?
    - Vou sim e você? - respondeu sua doce Bia.
  - Vou ficar louco de desejo, disse soltando deliciosa gargalhada.

Pegou no sono enquanto prometia a si mesmo, que faria tudo para manter essa mulher perto, pelo maior tempo que a situação permitisse.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sob o Signo de Peixes ! 6



A primeira vez.

O vôo de volta foi infinitamente mais rápido do que o de ida. Imersa em pensamentos e lembranças, Beatriz não conseguia parar de sorrir.

Zé Edu era um homem maravilhoso. Parecia saído de um romance. Doce e forte na medida certa.

Quando a porta do quarto se fechou e ela sentiu que os braços dele a envolveram, estremeceu. Foi carregada até a cama, enquanto ele olhava profundamente nos seus olhos com um leve sorriso nos lábios.

Totalmente entregue ao desejo permitiu ser despida lentamente.

- Como você é linda! Dizia Zé Edu a cada peça de roupa que tirava.

A voz rouca, daquele homem sedutor, continua impregnada na memória de Beatriz.

Não fizeram amor. O amor ainda não existia. Mataram um desejo latejante. E mataram várias vezes.

Beatriz não teve tempo de usar a lingerie. Tão pouco Zé Edu não se lembrou do pedido feito ainda no aeroporto.

Tomaram whisky, jantaram, conversaram longamente, trocaram carícias, beijos, confidências.

Saíram de lá impregnados do cheiro e do gosto um do outro. Plenos, satisfeitos.

- Atenção passageiros, apertem o cinto e coloquem a poltrona em posição vertical. A fala da comissária de bordo a tirou do transe.

- Cheguei. Pensou com tristeza.

No estacionamento, pegou o carro e dirigiu até sua casa. Quando entrou não conseguiu se lembrar do caminho que fez.

O celular tocou. Ela sabia que era ele.

- Chegou bem, princesa?
- Cheguei sim. E você, como está?
- Louco de saudade de você. Não sei quanto tempo vou conseguir ficar sem te ver.
- Agora é sua vez de vir me ver, disse sorridente.
- Eu vou, logo. E saiba: você é uma mulher maravilhosa.
- Obrigada, querido. Importante ouvir isso de você.
- Você vai ficar bem?
- Vou sim e você?
- Vou ficar louco de desejo, disso soltando deliciosa gargalhada.
- Um beijo
- Outros. Falamos amanhã.

E eles se falaram todos os dias, várias vezes ao dia, até o dia que Zé Edu pode ir vê-la.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Sob o Signo de Peixes! 5



 Ainda sobre o terceiro encontro.



O beijo apaixonado e algumas palavras carinhosas foram suficientes para que todo o medo que eles sentiam se desfizesse.

Ele a achou ainda mais bonita. Ela o achou ainda mais charmoso

Ele entregou um presente dizendo:
- Quero que você use hoje.

Beatriz, com as mãos ainda trêmulas, teve dificuldade de desfazer o laço que fechava a caixa.
Zé Edu, gentilmente a ajudou.
Dentro um lindo conjunto de lingerie azul – a cor preferida dele. Rendado, provocante, estimulante.
Sorrindo timidamente, ela agradeceu.

O trânsito infernal só fazia aumentar a ansiedade dos dois. Quase não falaram, havia de novo um constrangimento no ar.

Ela, insegura com seu corpo e com sua capacidade – maldito trauma que o casamento provocou.
Ele, tomado pelo imenso desejo de que tudo saísse de acordo com os seus planos.

Quarenta minutos depois passaram pela portaria de um motel espetacular.
Zé Edu desceu do carro, deu a volta e abriu a porta para ela. Estendeu a mão para ajudá-la a sair.
Beatriz pegou a mão dele e desceu graciosamente do carro com o pacote e a bolsa equilibrados no outro braço.

Pararam diante da porta do quarto. Olharam-se por um minuto e entraram. 

Continua

terça-feira, 22 de abril de 2014

Sob o Signo de Peixes! 4



O terceiro encontro - Ela.

Beatriz desceu do avião, com as pernas trêmulas. Mãos geladas, coração aos pulos. Saudade aumentada na mesma proporção do desejo.
A voz do bom senso veio no mesmo voo.

- Você vai mesmo para a cama com um homem casado? Sim, é um homem sedutor. Mas vocês trabalham juntos!

Que postura intrigante a dele, parecia não ter nada a perder. E tinha muito.

No saguão ligou o celular.
Pegou a bagagem na esteira no mesmo momento em que ele tocou.

-Estou aqui, louco pra te ver.
-Já peguei minha mala, estou saindo.

Passou pelo portão decidida a não dar ouvidos à voz irritante que insistia em fazer questionamentos em sua cabeça.

- Não tenho nada a perder. Sou solteira, livre e preciso de alguém que me deseje e me trate bem – pensou.

A decisão a deixou mais alta, mais bonita, mais firme. Podia ver cabeças virando para vê-la passar.


Há tempos não se sentia tão segura, tão plena de si.

O terceiro encontro - Ele.

Um Zé Du, ansioso, aguardava dentro do carro, estacionado na ala de desembarque. No banco de trás um pacote lindo, azul, com laço gigante. Adorava surpresas.

Olhava para o relógio e para o céu, para o céu e para o relógio. Tentou o celular dela: desligado.
Tentou se concentrar num documento de trabalho que tirou da pasta, não conseguiu. Mudou a estação de rádio e a música o fez lembrar do sorriso dela.

- É Zé Du, essa menina mexeu mesmo com você, pensou.

Tentou o celular mais uma vez, nada.

Na terceira tentativa ela atendeu e o coração dele pareceu saltar pela boca:

-Estou aqui, louco pra te ver.
-Já peguei minha mala, estou saindo.

Não conseguiu mais tirar os olhos da porta. Cada vez que abria seu coração saltava.

Até que ela surgiu: Linda, firme, num vestido lilás maravilhoso, salto alto, cabelos soltos, lisos, loiros.

- Zé Edu, você tá se metendo numa tremenda encrenca – A voz da consciência, que não conseguiu nada com Beatriz, resolveu alertá-lo.


Por um segundo sentiu medo do futuro, mas quando ela abriu a porta do carro e o perfume que usava dominou o ambiente, ele só pode puxá-la para junto de si e beijar avidamente aquela boca carnuda que se oferecia num lindo sorriso para ele.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Ladeira da Graça.





Fica ali, do lado esquerdo de quem desce, pouco antes da curva!
Ali, de frente ao palacete, do lado do casarão!

Quatro mesas na calçada, outro tanto do lado de dentro e o dono - homem grande - atrás do balcão.

O nome não se vê! 
Chamam-no "drink do inferno" mas tá mais perto de "Uma cerva no paraíso".

Toldo que pede um novo, banheiro que pede porta, pessoas que pedem mais um!!

Violão que se ouve longe, ora acariciado por dedos hábeis de quem sabe o que faz, ora castigado por quem apenas imagina saber. 
Vozes que se completam. Sopranos, contraltos, barítonos e tenores! Segunda voz numa terça, numa quinta, as vezes só oitava acima! Mas sempre aos sábados e domingos.

Sorrisos gentis, sotaque que pega, cerveja gelada, Abará de primeira!

Papo raso, papo profundo, conversa mole, conversa pra boi dormir.
Assuntos misturados igual ao queijo com molho: Favoráveis a ditadura, os políticos corruptos, Lula X Collor, ACM Neto, o Pelourinho, o prédio que deveria ser tombado mas foi derrubado!

- Aquele cruzeiro que fiz pra Fernando de Noronha...
- Não fale do meu Bahia, vuuu??
- Cadê Paulo, que não aparece, rapá??
- Ivete não mora lá mais não!
- Gil fez essa música pra Sandrão!!!
- Toque aquela, Marcão...

" A tristeza é senhora, desde que samba é samba é assim..."

As horas vão passando no ritmo das pessoas que sobem a ladeira. O sol se põe e dá lugar às estrelas que mal podem ser vistas. Há muitas janelas acesas nos prédios da esquina.

Aquele que estava sentado lá embaixo, na primeira mesa no pé da ladeira, sobe cambaleando tonto de tanto whisky, atrás da moça nova no pedaço. 

E aquele de estava sentado na mesa de cima, bem pertinho dos degraus pintados de verde, desce firme em direção ao taxi que chamou. 

De uma hora pra outra fica tudo junto e misturado.

As dez, cada um pede sua conta e uma saideira. 
As dez, tocam a última canção e vão saindo, de mansinho, uns mais inteiros do que outros,  rumo aquilo que inadvertidamente chamam de lar. 

Em casa mesmo, eles se sentem é ali, naquela ladeira da Graça!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sete dias com ele !!!!




Quando ela acordou - ainda abraçada ao travesseiro - no dia da partida, pensou no gosto daqueles beijos e no quanto sentiria falta daquele olhar!

Ficaram uma semana juntos. Tempo suficiente para que um encantamento surgisse.

Há tempos não vivia emoção assim, quase adolescente. Há tempos não sentia tanta ternura por alguém.
Ainda na cama, lembrou da primeira vez que o viu: Alto, incrivelmente elegante vestindo bermuda despojada e chinelos. Roupa de quem vive à beira mar. Trocaram sorrisos e algumas palavras. Foi embora impressionada.

Dia seguinte, comentou com um amigo:

-Conheci um cara interessante.
-É!! E ai??
-Ah ... aí nada, só conheci rsrs

Encontraram-se dois dias depois e ela começou a prestar ainda mais atenção naquele homem que se movimentava com leveza e era gentil. A fala mansa, com sotaque carregado, tinha um ar misterioso que sugeria certa timidez.

Saíram junto com os amigos para dançar, beber e conversar. E conversaram muito. Encontraram pontos de afinidade. Ambos tiveram um dezembro e um outubro de sofrimento, cada um ao seu jeito, mas envolvendo as mesma questões.

O beijo foi doce, delicioso, com entrega e encaixe perfeitos. Ele elogiou o sorriso dela e ela, desde então, não parou mais de sorrir.

Durante o dia ela curtia a praia, o mar, os livros. Empenhou-se em viver aquilo a que se tinha proposto quando viajou. Ele, trabalhava. A noite, encontravam-se e namoravam. Namoro desses de filme de sessão da tarde.

Passearam abraçados, de mãos dadas. Andaram de quadriciclo, ela com a mão entrelaçada na cintura dele, e ele vez ou outra, virando o rosto para ser beijado.

Namoraram no portão, vendo as estrelas na praia, na Vila, sentados no chão, na rede, na grama.... Mãos entrelaçadas, olhares intensos, bocas ávidas uma pela outra.

Durante aqueles dias, foram par!

Agora, na iminência da partida e diante da dúvida de um novo encontro, ela derramou lágrima de saudade.
Na noite anterior, estavam ambos desconfortáveis com a despedida. Acabaram ficando pouco tempo juntos e o ar era de constrangimento. Ela com medo de chorar, ele... Bom!!! Ele, ela não sabia porquê!
Trocaram palavras amorosas de quem deseja o bem do outro. Trocaram beijos.

Não trocaram telefone!! Não tiraram fotos!!!

Já dentro do carro que a levou embora, deu um último olhar pra aquele mar abençoado e pensou nas palavras que escreveu pra ele logo depois do beijo de despedida:

Não imaginei encontrar alguém que resgatasse a menina que mora em mim! Ter a sua companhia delicada, gentil, respeitosa, me fez voltar no tempo!!! Desejo que se reconheça, que se sinta tão especial quanto é e que a partir de hoje, sempre que se olhar no espelho, veja não sua beleza exterior - que já é suficiente - mas a sua alma nobre !!!! Seja feliz, querido!! Você estará sempre em meu coração e nas minhas orações!!!!!Beijos”

O aperto no coração aumentava a medida que a distância entre eles ficava maior. No trajeto cochilou e sonhou com ele. Entendeu que viveram linda experiência num universo paralelo e que o sonho era uma demonstração do lugar que ocupariam a partir de então.


Nesses sete dias com ele, trocaram beijos, experiências, carícias mas, mais do que tudo, inflaram vida um no outro!

domingo, 30 de março de 2014

Reflexões !!! Bahia Inspira, Barra Transpira, Alma Delira!!!


À Mônica Montone, tradutora da minha alma.


Hoje me peguei chorando amparada por um cenário paradisíaco!! Foi um choro de quem se descobre através da palavra do outro! No meu caso, da outra.

Quando Mônica Montone me deu o livro " A Louca do Castelo" de presente, me alertou que as lágrimas viriam. Eu vivia um momento de alma em carne viva!!! Apavorada com a possibilidade de mais dor, covardemente encostei a obra. 

Quando resolvi viajar sozinha, resolvi também que já era hora de um encontro comigo mesma. Estou aqui há dois dias! Estou aqui há uma centena de minutos dedicados só a mim! 
Trouxe comigo livros e um computador para escrever. Ando ávida pelas palavras!


O choro de hoje é legítimo.


Choro de gratidão.

Lágrimas emocionadas de quem se reconhece, de quem se descobre, de quem gosta do que vê!

Os tons de Maraú transcendem qualquer explicação possível! O silêncio, a brisa, a temperatura que varia ao bel prazer do vento !


Tudo isso coloca minha vida em perspectiva.

E, enquanto muitos se acham pequenos diante de tamanha grandiosidade, eu, sem medo da modéstia, me sinto tão grande quanto o mar que vejo e ouço agora!





Ao Raimar, pelo entusiasmo que me inspirou a chegar aqui!

O dia amanheceu cinza!! E ainda assim me rendi ao espetáculo que é Barra Grande.

Ao longo do dia as tonalidades iam do chumbo ao gelo. Sem medo de parecer ridículo com as nomenclaturas, passeou pelo rato, ardósia, mescla!

O azul tentou, mas o que conseguiu foi um cinza azulado.

O mar passivo como suas águas de baia, refletiu só o que via e passou o dia num cinza esverdeado.

De cor, só o minha canga de estampa "fita do Bonfim", o cardápio lindo do O Deck e o mobiliário do bar que, mesmo sem pretensão alguma, fazia o cinza se destacar ao fundo de mesas lilás, bancos amarelos, guarda sóis laranjas. 

A hora do espetáculo chegou e as caixas de som nos encheu os ouvidos de Marisas, Alexandres, Marcelos, Marias...


E quando Tim cantou "venha dormir em casa" achei que o cinza fosse se abrir para dar passagem às tonalidades laranjas de nosso astro maior, que chegava como se atendesse à ordem do síndico!


Houve uma disputa! Briga de gente grande, de personalidade, mas o que se viu ao longe, tão belo quanto qualquer outro por-do-sol  que presenciei, foi o céu cinza alaranjado!!!




A você, que me fez seu "mundo" por aquele instante!


Soube aos sete que estava fadada a ter alma adoentada de amor!

Ao longo dos anos e dos dissabores, experimentou todo tipo de enfermidade. Espirrou, tossiu, sentiu enjoo e vertigem. Otimista, mantinha sua alma alimentada pela esperança na chegada de um grande amor. 

Passou um tempo tentando entender porque aqueles que queriam o corpo não admiravam a alma e os que admiravam a alma não lhe tocavam o corpo.

 
Sempre que um alguém se aproximava, a alma - já tão machucada - respirava fundo e tentava acreditar na paz que, quem sabe, viria. 


De tanto crer e não ver concretizar acabou tão doente que levou junto o corpo. Acabaram ambos mutilados naquilo que a mulher tem de mais simbólico. 


Depois disso, aceitou qualquer carinho, qualquer atenção! Não se sentia mais digna de escolha. 


Um dia viu chegar aquele que não se importava com o estrago que a vida tinha feito e se mostrou tão aberta, tão disponível, que quando ele se foi, arrancou a alma de dentro do peito disforme e a deixou abandonada ali, em carne viva! 


Passaram um tempo desconectamos: corpo e alma. Cada um tentando sobreviver àquela agressão inesperada. 


Ter a alma arrancada do peito permitiu olhá-la de perto, com cuidado. Permitiu conhecê-la a fundo e entender quem ela era. 


O tempo as uniu e juntas perceberam que a tenacidade é sua melhor qualidade.


De volta à vida, certo dia esbarrou num certo "Arquimedes" que não querendo só o apoio e nem só a alavanca, com surpreendente delicadeza a colocou na condição de mundo!!!!


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