Sobre o Conteúdo do Blog

Blog de histórias reais e de ficção.
Um lugar para expor opiniões que provoquem dor ou delícia!
Qualquer semelhança com histórias ou comportamentos reais poderá ter sido mera coincidência. Ou não!



quinta-feira, 10 de julho de 2014

Sob o Signo de Peixes ! 8




Tânia acordou no exato momento em que Zé Edu entrou no quarto.
Abriu os olhos em tempo de vê-lo entrar no banheiro. Parecia entorpecido, quase flutuando.

-Desgraçado, pensou.

Foi invadida por um sentimento perturbador. Não o amava mais como antes, mas não conseguia imaginar sua vida sem ele. Não tinha mais o mesmo desejo e sabia que ele também não. Aliás, o dele havia acabo há tempos, mas  imaginá-lo nos braços de outra mulher provocava nela uma ira quase incontrolável.

Teve ímpeto de sentar-se na cama e esperá-lo como achou que ele merecia: Gritos, cobranças, pedido de explicação pelo adiantado da hora e pelo cabelo em desalinho. Pensou melhor sobre as conseqüências da atitude e avaliou não ser essa uma boa ideia.

Pensou em fingir que estava dormindo e esperar até a manhã seguinte. Precisa manter a calma. A compra do carro novo, aquele dos sonhos, ainda não tinha se concretizado.

Decidiu por um meio termo.

Ainda de olhos fechados, sentiu Zé Edu sentar na cama e depois deitar-se. Percebeu quando ele virou de lado. Nesse momento, ela abriu os olhos a tempo de vê-lo abraçar o travesseiro e levar a mão ao rosto. Foi aí, que passou o braço pela cintura dela e disse:

- Vou dormir sem um beijo de boa noite?

- Achei que já estivesse dormindo, não quis acordá-la.

- Boa noite, Zé. Continue aí, divagando em seus pensamentos – o tom da voz mostrava total irritação.


Tirou o braço, deitou-se de bruços e simulou choro sentido. Quando se deu conta de que Zé Edu não havia percebido, acendeu a luz do abajur e resolveu ler mais um capítulo de Madame Bovary.

                                                                                                                                                  Continua 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Quem me dera...




...Que neste 12 de junho, eu tivesse um novo amor. 
Quem me dera!!!
Se existisse, seria alguém que passou um tempo me admirando à distância e em silêncio e quando resolvesse chegar, teria tamanha delicadeza que me encantaria. Seria um amor novo que me acharia linda e me chamaria de Chris, pois teria total conhecimento de quem sou. Sim, chamar de "amor", de "querida", de "vida" é muito bonitinho mas é vago, quase banal. Eu o chamaria por apelido diminuto, prolongando a ultima vogal do tamanho da alegria que sentiria ao vê-lo e sempre que o visse, sorriria feliz. Sempre!
Ele me mandaria mensagens de madrugada e letras de musicas românticas ao longo do dia.  Seria fã de João Bosco e acharia pertinente dizer " o amor quando acontece, a gente esquece logo que sofreu um dia..."
E se no rádio tocasse a canção de Ivan Lins e Maria Gadu ele me chamaria no FaceTime  para ouvirmos juntos " te dar força, te encher de motivos, te dar mais valia..."
Seria um tantinho possessivo - o suficiente para provar o quanto me ama, ele diria - mas entenderia meu tempo e meu espaço.
Me olharia de forma tão intensa que me faria perder o fôlego e pensar: - Nunca um homem me olhou assim antes!
Seria dado a pequenas surpresas, um bombom na hora do almoço, um Polenguinho pro lanche da tarde, um carregador de celular para me manter conectada ao carinho dele por mais tempo.
Eu, ainda esfolada pelo passado, tentaria resistir a tudo isso, mas não conseguiria por muito tempo. Certamente, logo me renderia aos seus beijos prolongados que provocariam em mim um desejo tal, que há muito não sentia.
Seria um homem de cabelos lisos, olhos expressivos, perfume delicioso. Com humor único, divertido, até nos momentos mais difíceis.
Alguém que veria, invariavelmente o lado bom das coisas desse mundo e teria a sabedoria para entender, que cada pessoa que chega em nossas vidas, tem papel importante a cumprir.
Teria andar manso e bundinha redonda. Mãos macias e pezinho de criança! Cuidaria bem dos pais e dos filhos.
Meu amor seria popular, não pela fama, mas por ser tão querido, tão doce, tão solícito, que todos o reconheceriam. Seria generoso sem pensar em recompensa. Seria amigo a ponto de abrir mão de seu tempo precioso, para ouvir qualquer pessoa que fosse importante pra ele. Ainda que isso lhe custasse horas de sono.
Trataria meus filhos com respeito e admiração. Vibraria comigo pelo sucesso deles e jamais disputaria com eles para fazer sucesso comigo.
Esse amor -  quem me dera - ao me vir manhosa, gripada ou deprimida, viria me ver com um mimo. E esse mimo ficaria ao meu lado como um anjo guardião. AH!!! Esse homem, talvez tivesse o cuidado de espirrar no mimo, o mesmo perfume que usa e eu me sentiria mais segura cada vez que sentisse seu cheiro.
Talvez não andássemos de mãos dadas, talvez não expuséssemos nossa vida juntos. Teríamos sim, fotos um do outro, mandadas sorrateiramente por mensagem para matarmos saudade em dias de distância.
Cantaria Chico para ele "...o tempo que refaz o que desfez, e recolhe todo sentimento, e bota no corpo uma outra vez..." que, atento, ouviria quase sem respirar.
Tivesse eu esse amor, desejaria que fosse eterno enquanto durasse. E que durasse, até que a morte do amor nos separasse.
Uma história assim me faria feliz. Um homem assim, me conquistaria todos os dias um pouquinho e talvez, como que para poupar-nos de influências vis, nos mantivéssemos ocultos. Mas, não me furtaria a vontade de usar um poeta brega para admitir que "Por eu ter me machucado, Quase, quase que perdi, A doçura selvagem dos teus abraços, O amor mais lindo que eu conheci".

Quem me dera que hoje, no dia que se celebra o amor, ele existisse.
Quem me dera que eu pudesse olhar em seus olhos e dizer: Eu te Amo!!!






quarta-feira, 28 de maio de 2014

Sob o Signo de Peixes ! 7



Ainda sobre a primeira vez.


Chegou em casa sem saber como. Não conseguiu lembrar-se do caminho que fez. Entrou no quarto, olhou Tânia dormindo e sentiu um nó no estômago.
Não tinha ideia do que ia fazer com o que estava sentindo.

-Tá! Já tive vários outros casos, mas nenhuma mulher mexeu comigo assim – pensou. Ah, Beatriz! Quanta doçura, quanta delícia por trás de encantadora timidez.

Deitou-se devagar, virou-se de lado, sentiu o cheiro da noite de prazer em seus dedos. Fechou os olhos e tentou recuperar os detalhes vividos.

Beatriz em seus braços, olhar assustado, sorriso terno e nitidamente nervoso.  Beatriz na cama, olhar mudando a cada peça de roupa que lhe era tirada. Beatriz se transformando numa mulher fogosa, pronta pra um prazer intenso. Beatriz em êxtase, completamente entregue a ele.

Apertou o travesseiro contra o rosto e suspirou de prazer. Sentiu a braço de Tânia envolve-lo pela cintura. Gelou!

- Vou dormir sem um beijo de boa noite?
- Achei que já estivesse dormindo, não quis acordá-la – disse sem se virar.
- Boa noite, Zé. Continue aí, divagando em seus pensamentos. Tânia mostrou-se irritada com a falta de movimentação do marido.

Zé Edu nada respondeu, apenas fechou novamente os olhos e pensou na conversa com Beatriz há poucos minutos:

    - Você vai ficar bem?
    - Vou sim e você? - respondeu sua doce Bia.
  - Vou ficar louco de desejo, disse soltando deliciosa gargalhada.

Pegou no sono enquanto prometia a si mesmo, que faria tudo para manter essa mulher perto, pelo maior tempo que a situação permitisse.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sob o Signo de Peixes ! 6



A primeira vez.

O vôo de volta foi infinitamente mais rápido do que o de ida. Imersa em pensamentos e lembranças, Beatriz não conseguia parar de sorrir.

Zé Edu era um homem maravilhoso. Parecia saído de um romance. Doce e forte na medida certa.

Quando a porta do quarto se fechou e ela sentiu que os braços dele a envolveram, estremeceu. Foi carregada até a cama, enquanto ele olhava profundamente nos seus olhos com um leve sorriso nos lábios.

Totalmente entregue ao desejo permitiu ser despida lentamente.

- Como você é linda! Dizia Zé Edu a cada peça de roupa que tirava.

A voz rouca, daquele homem sedutor, continua impregnada na memória de Beatriz.

Não fizeram amor. O amor ainda não existia. Mataram um desejo latejante. E mataram várias vezes.

Beatriz não teve tempo de usar a lingerie. Tão pouco Zé Edu não se lembrou do pedido feito ainda no aeroporto.

Tomaram whisky, jantaram, conversaram longamente, trocaram carícias, beijos, confidências.

Saíram de lá impregnados do cheiro e do gosto um do outro. Plenos, satisfeitos.

- Atenção passageiros, apertem o cinto e coloquem a poltrona em posição vertical. A fala da comissária de bordo a tirou do transe.

- Cheguei. Pensou com tristeza.

No estacionamento, pegou o carro e dirigiu até sua casa. Quando entrou não conseguiu se lembrar do caminho que fez.

O celular tocou. Ela sabia que era ele.

- Chegou bem, princesa?
- Cheguei sim. E você, como está?
- Louco de saudade de você. Não sei quanto tempo vou conseguir ficar sem te ver.
- Agora é sua vez de vir me ver, disse sorridente.
- Eu vou, logo. E saiba: você é uma mulher maravilhosa.
- Obrigada, querido. Importante ouvir isso de você.
- Você vai ficar bem?
- Vou sim e você?
- Vou ficar louco de desejo, disso soltando deliciosa gargalhada.
- Um beijo
- Outros. Falamos amanhã.

E eles se falaram todos os dias, várias vezes ao dia, até o dia que Zé Edu pode ir vê-la.

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